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\'Cabeça de Menino\' de Joubert Morais
\'Cabeça de Menino\' de Joubert Morais

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Publicada em 20/09/2014 às 18:09:00

Até onde vai a paciência do governador Jackson Barreto? Passou a semana inteira apanhando do rival Eduardo Amorim (PSC) e do seu laranja, o tal de Betinho, cujo programa eleitoral é conduzido por Davi Leite, deslocado da equipe principal do senador por divergências com a cúpula da campanha. O Davi chega a encaminhar pelo Watsapp o programa de Betinho antes mesmo dele ser levado ao ar, como na sexta-feira. E depois faz a festa nas redes sociais.

Amorim apresenta-se como salvador da Saúde, mas não explica o fato de José Lima, que o sucedeu no comando da Secretaria de Estado de Saúde na etapa final do terceiro governo João Alves Filho (2003/2006), ter feito uma compra emergencial de medicamentos para suprir os hospitais e postos de saúde que não tinham nem mesmo os remédios básicos para um simples curativo. Pouco antes, Eduardo Amorim havia patrocinado uma compra emergencial de medicamentos, sem licitação, no valor de R$ 178 milhões. Essa é, inclusive, a razão do senador e candidato a governador responder a processo, em segredo de justiça, no Supremo Tribunal Federal.

Nos últimos dias, nas entrevistas que vem concedendo, o senador Amorim tem repetido que não vai nomear o seu irmão Edivan Amorim, que se registrou como candidato a deputado estadual para evitar a exposição nos programas eleitorais de suas facetas como 'empresário', para qualquer cargo público. Lógico que não. Caso Eduardo Amorim vença a eleição, Edivan é quem irá mandar no governador, como fez na época em que ele foi secretário da Saúde e nomeou o chefe do DAF da Secretaria, e agora tem o domínio completo do seu mandato no Senado Federal.

Entre amigos, Edivan costuma jactar-se da importância da realização do segundo turno nas eleições estaduais de 2002, quando João Alves foi surpreendido pela arrancada de Zé Eduardo Dutra (PT). Sem caixa, João teve que se submeter ao então genro que garantiu o fôlego financeiro para a vitória final. Foi nessa condição que ele conseguiu indicar o irmão Eduardo para a Secretaria da Saúde e controlou os DAFs de outras secretarias.

O senador usa imagens gravadas em 2000 para retratar a situação do Hospital de Urgência de Sergipe como se fossem de hoje e fica tudo por isso mesmo.
Outro ponto que ninguém entende, é Jackson permitir a utilização da imagem do ex-governador Marcelo Déda contra a sua campanha. O controle absoluto mantido por Eduardo Amorim sobre a Assembleia Legislativa impôs derrotas e humilhações ao então governador, que enfrentava um duro tratamento contra o câncer, que acabou provocando a sua morte precoce.

Déda deixou depoimentos virulentos mostrando a forma perniciosa como o senador Amorim trata o Estado e o domínio absoluto em relação à Assembleia. E cadê esses pronunciamentos? A família do ex-governador está toda empenhada na campanha de Jackson, a sua filha Luíza deu depoimentos emocionantes desautorizando a imagem do pai pelo adversário, a viúva Eliane Aquino está diuturnamente nas manifestações em apoio à reeleição, mas a imagem irretocável de Déda serve é para atacar Jackson, que mantém um programa na linha "paz e amor", mostrando realizações já vistas e sem entrar no embate político com Amorim.
Isso é para ser feito quando a eleição já estiver liquidada, o que não é o caso. Quem passa pela 13 de Julho, onde mora a burguesia sergipana, percebe que os carrões e até apartamentos estão decorados com bandeiras do senador Amorim e que, em função disso, há a possibilidade de aparecer muito dinheiro na reta final da campanha para práticas ilícitas.

Desde a eleição de Eduardo para o Senado, em 2010, os dois irmãos iniciaram o loteamento do Estado a partir de 2015, vendendo o que não podiam oferecer, inclusive cargos em outros poderes, onde nomeações, normalmente, são fruto do próprio crescimento funcional de cada um.
Nos últimos dias, o programa eleitoral do senador Amorim tenta inverter os papéis. Quer transferir a imagem negativa de seu grupo, ligado ao dinheiro e ao uso irregular da máquina do Estado, para a campanha de Jackson. E este continua assistindo tudo passivamente, enquanto Edivan, Flávio Conceição, Laurinho da Bomfim - que segue desfilando como milionário mesmo sem ter pago indenizações a mais de mil famílias desamparadas por suas empresas quebradas - continuam conspirando e loteando o Estado, em caso de vitória.
Ou Jackson muda a forma de enfrentamento contra o senador Eduardo Amorim, ou corre o risco de passar a ser o vilão desta campanha eleitoral.

As adesões
não param
Um sinal evidente de que a campanha à reeleição de Jackson Barreto vai muito bem é que há três semanas do pleito ele continua recebendo apoio de eleitores, de categorias profissionais e instituições. A semana encerrou com o apoio de um grupo de professores da UFS, que entregou a ele um documento intitulado "Propostas do Grupo da UFS em apoio ao candidato Jackson Barreto", com sugestões para fortalecer a rede estadual de ensino, melhorar a educação básica e garantir um ensino superior democrático e includente. Na sexta-feira, ele foi recepcionado pelos policiais civis de Sergipe, que confirmaram apoio e o reconhecimento à gestão que renovou a segurança pública, com investimentos e melhorias das condições de trabalho e salariais da categoria. Na quarta-feira, ele foi recebido em café da manhã pelos empresários de Nossa Senhora do Socorro, principalmente do Distrito Industrial local, que reúne 37 empresas e emprega 6 mil trabalhadores. A semana já havia começado com uma manifestação também importante de pastores evangélicos de várias denominações, que na segunda-feira tomaram café com Jackson e tornaram público o seu apoio. É um bom sinal ou não é?

Oferecimento
A compra e venda de votos em Sergipe continua tão escancarada que até através de redes sociais os candidatos recebem propostas indecorosas de supostos eleitores. Nesta semana, um dos candidatos a deputado estadual na coligação que apoia a chapa de situação recebeu em sua fanpage a seguinte mensagem: "Olá, bom dia! Gostaria de saber se não tem interesse em montar uma equipe para trabalhar na sua candidatura, pois ainda não temos candidato a deputado. Somos uma família grande e temos muitos amigos. Se tiver interesse em fazer a equipe para trabalhar pode me contatar através desses números: 79 XXXX-XXXX // XXXX-XXXX, ou até mesmo por esse face".

Lula
A participação do ex-presidente Lula no programa de Rogério Carvalho, candidato a senador pela coligação de Jackson, deu novo ânimo a campanha. Aliados acham que petistas que ainda estavam reticentes com a sua candidatura vão se engajar diretamente a partir de agora. Lula mostrou que Déda se orgulhava do projeto de Saúde estabelecido por Rogério durante as suas administrações como prefeito de Aracaju e governador do Estado. Na segunda-feira, Lula continuará em campanha por Rogério.

Cadeira vazia
Além da participação da presidente Dilma, Lula e outras personalidades na campanha, Rogério vai continuar apresentando a cadeira ocupada há 16 anos pela senadora Maria do Carmo Alves (DEM), que tenta a reeleição, e que estaria vazia. "Ela é uma parlamentar omissa e totalmente ausente das discussões importantes para o povo sergipano", avalia.

Interesses
O debate promovido na semana passada pela OAB, Igreja e Sindicato dos Jornalistas entre os candidatos a governador, pode ser avaliado como lobby dessas entidades para governos futuros. Os jornalistas querem concurso para o preenchimento de vagas em assessorias de imprensa; a OAB que os conselhos de órgãos e empresas estaduais tenham um representante indicado pelos advogados. No caso da reivindicação da OAB, Eduardo Amorim disse que iria incorporar a proposta ao seu programa de governo. Jackson Barreto prometeu um estudo de viabilidade a partir do encaminhamento de uma proposta formal da entidade.

Carreatas
Pelo menos duas grandes carreatas de políticos poderão agitar ainda mais o tumultuado tráfego de veículos nas ruas de Aracaju neste domingo pela manhã. Uma será em apoio à candidatura de Francisco Gualberto (PT), que busca a reeleição para a Assembleia Legislativa. Segundo ele, cerca de 400 carros percorrerão ruas de vários bairros da capital a partir das 9h. A outra será em apoio a Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição para a presidência da República. Esta será organizada pela viúva de Marcelo Déda e coordenadora da campanha de Dilma em Sergipe, Elaine Aquino.

Reconhecimento
Boa parte dos policiais civis de Sergipe fez questão de se reunir esta semana com candidatos governistas para garantir seu apoio na eleição deste ano. Centenas deles garantiram o voto para Jackson Barreto (governador PMDB), Rogério Carvalho (senador PT) e Francisco Gualberto (deputado estadual PT). Segundo os policiais civis, trata-se de um reconhecimento pelo o que o atual governo, iniciado por Marcelo Déda, fez em favor da categoria. Entre outras coisas, eles destacam o significativo aumento salarial e os imprescindíveis investimentos na estrutura do órgão.