Eliane Lage

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A ATRIZ FEZ PAR ROMÂNTICO COM O BONITÃO ANSELMO DUARTE, EM \"SINHÁ MOÇA\"
A ATRIZ FEZ PAR ROMÂNTICO COM O BONITÃO ANSELMO DUARTE, EM \"SINHÁ MOÇA\"

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Publicada em 23/09/2014 às 00:15:00

Entre 1949 e 1954, a cidade de São Bernardo do Campo (SP) ganhou uma generosa dose de glamour e ameaçou virar uma espécie de Hollywood brasileira com a construção dos estúdios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. A proposta inicial não era exatamente modesta: implantar uma indústria cinematográfica de grande porte e projetar o cinema nacional no exterior. O que, de certa forma conseguiu com filmes como "O Cangaceiro" e "Sinhá Moça", dois grandes clássicos do nosso cinema.

Técnicos, diretores, roteiristas e equipamentos de ponta de vários países foram trazidos a peso de ouro. A constelação de estrelas incluía Eliane Lage, Anselmo Duarte, Ilka Soares, Tônia Carrero e até um comediante em ascensão chamado Mazzaroppi. Em seus quinze anos de existência, foram produzidos 34 filmes de padrão de qualidade que ainda hoje impressionam.

Eliane Lage foi, sem dúvida, a maior estrela da Vera Cruz e uma das maiores da história do cinema brasileiro. Talentosa e de uma beleza tímida e comovente, ela nasceu em Paris, França, em 16 de julho de 1928. Vem para o Brasil ainda bebê. De abastada família, passa sua infância no Rio de Janeiro, estudando nos melhores colégios, como o emblemático Sion. Mora fora do Brasil e faz diversos cursos, jamais pensando em ser atriz. Retornando ao Brasil, porém, conhece o diretor Tom Payne, em um jantar na casa da família Matarazzo, que estava em vias de fundar a Vera Cruz. Os dois iniciam um romance e ele, o felizardo Tom, convence-a a fazer um teste para o filme "Caiçara"(1950), a primeira produção da Companhia.

Aprovada, Eliane inicia fulgurante carreira de atriz em outros filmes marcantes, como "Sinhá Moça"(1953), tornando-se conhecida no Brasil inteiro. Com fortes tendências de abandonar a carreira artística, tem em "Ravina" o seu canpo de cisne. Os poucos filmes que fez assim como sua colega Tônia Carrero) são o suficiente para coloca-la em lugar de destaque na história do nosso cinema.
Com o marido Tom Payne, muda radicalmente suas atividades e vai criar gado em Goiás. É difícil falar em cinema brasileiro sem mencionar o nome Eliane Lage.

O melhor filme da atriz pode ser visto em DVD em cópia digital restaurada, excelente imagem em preto-e-branco, e conta a trama baseada no romance da Maria Dezonne Pacheco Fernandes. Trata-se de um folhetim muito bem escrito sobre a escravidão, seus mocinhos e vilões. Eliane Lage faz a jovem rica que retorna da Europa para a fazenda da família, no interior de São Paulo. Fica revoltada com o tratamento dispensado aos negros e se apaixona pelo advogado Anselmo Duarte. Há também um justiceiro mascarado (adivinha quem é ele), que, no estilo Zorro, luta pela abolição da escravatura.

Nos filmes subsequentes, Eliane Lage continuou esbanjando talento e seduzindo os cinéfilos com sua beleza clássico, bem ao estilo de Audrey Hepburn. Magnífica! São eles os já citados "Caiçara", "Ravina", "Angela"  e "Terra é sempre Terra", respectivamente de 1953 e 1958.   
(Resumo do capítulo 77 do meu livro inédito "101 Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena")

ERRATA - O nome do artista focalizado aqui, na edição de 16.09.14 é BUSTER KEATON e não Buster Keston.