Gangster e cara de pau

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Xilogravura de Vilma Rebouças
Xilogravura de Vilma Rebouças

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Publicada em 28/09/2014 às 01:23:00

A semana passada foi marcada politicamente pelo aparecimento de Edivan Amorim, o irmão do senador Eduardo Amorim, nos programas eleitorais no rádio e na tv e em entrevistas a emissoras de rádio. Foram horas e horas de lorota atacando o governador Jackson Barreto, a honra do ex-governador Marcelo Déda, morto em dezembro do ano passado e, portanto, sem poder se defender, e seus familiares, e, também o cidadão sergipano.

Amorim registrou na Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 75 mil, disse que suas cotas em cada uma das emissoras de rádio vale apenas R$ 500, mas admitiu que é milionário. Apenas usa a sua mulher e a mãe, uma anciã, para registrar os seus grandes negócios e tomar os empréstimos junto a bancos oficiais.
Mostrou também que é o tutor responsável pela carreira política do senador Amorim e que, em caso de vitória nas eleições do próximo domingo, seria o principal operador de seu governo. Como foi quando cobrou do então governador João Alves Filho, em 2003, a sua nomeação para a Secretaria de Estado da Saúde, palco de tantos escândalos e motivo de processo que o senador Amorim responde até hoje, em segredo de justiça, no Supremo Tribunal Federal, por desvio de recursos na compra de medicamentos.

Os ataques a Jackson, a defesa do patrimônio que construiu através de empréstimos em bancos oficiais e transferiu para terceiros, e o apoio a candidatura de seu irmão poderiam até ser digeridos. São coisas da política. Mas atacar um morto que com sua dignidade serviu para lustrar o nome dos Amorim, a sua mulher e os seus filhos é coisa de covarde.
A campanha de seu irmão, Eduardo, já vinha fazendo referências ao ex-governador Marcelo Déda com o objetivo de atingir Jackson Barreto. Isso gerou um incômodo natural na família de Déda. Quando Edivan passou a fazer isso na maior cara de pau, a coisa ficou bem mais grave.

Por isso, as três filhas do ex-governador já se manifestaram contrárias ao uso do nome do seu pai na campanha de Amorim, com uma delas, inclusive, indo ao programa eleitoral de JB pedir respeito pela memória de Déda. Do mesmo modo, Eliane Aquino, a ex-primeira-dama, também tem defendido a imagem do ex-governador (aqui). Nada fora do direito delas. Edivan acusa-as de que estariam defendendo a reeleição de JB por temer a perda de seus cargos comissionados caso ele perca o pleito.
Ele afirmou que a filha de Déda tem um cargo no Tribunal de Contas do Estado, o que, segundo Edivan, não seria aprovado pelo pai se ele estivesse vivo. Mas a realidade dos fatos é outra: Yasmin Barreto é jornalista profissional e trabalha na assessoria de comunicação do tribunal desde que seu pai era vivo. Cumpre carga horária e desenvolve seu trabalho como qualquer outro integrante do setor.

Sobre Eliane Aquino, Edivan foi mais longe. Disse que ela teria rendimentos mensais, recebidos do governo estadual, que somariam R$ 45 mil, fruto de uma pensão mais o salário de secretária de Estado da Inclusão e também participação em conselhos estaduais. É importante ressaltar que Eliane não acumula salários, uma vez que existe um teto de rendimentos no setor público, bem inferior ao valor que Edivan ventila como real; a ex-primeira-dama pediu exoneração do cargo de secretária em 30 de julho, conforme consta no Diário Oficial do Estado. E por último, ela nunca participou de nenhum Conselho Administrativo de órgãos estaduais e, por isso, nunca recebeu qualquer jetom.

Eliane Aquino afirmou, no programa eleitoral do governador Jackson Barreto (PMDB), que é "tão deprimente ver os que traíram Marcelo Déda e quiseram humilhá-lo no passado, hoje utilizarem-se de sua imagem para tentar aparecer como bonzinhos". Segundo ela, "eles não têm esse direito"; ela ressaltou que "foi a Jackson que Marcelo Déda confiou a tarefa de dar continuidade ao projeto de mudanças que ele iniciou em Sergipe".
Nesta sexta-feira, Eliane Aquino voltou a usar as redes sociais para exibir a sua exoneração da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social, publicada no Diário Oficial de julho deste ano. Disse que quando assumiu o compromisso de coordenar a campanha da presidenta Dilma em Sergipe, a primeira coisa que fez foi se afastar do cargo.

Eliane lamentou que nos últimos dias "eu e a minha família - digo isso porque sinto que as três filhas mais velhas de Marcelo Déda são minha família também - temos sido vítimas de ataques mentirosos do senhor Edivan Amorim e de profissionais de comunicação que atuam em veículos de sua propriedade. Não estou nessa batalha por interesses pessoais, mas para defender o legado e a trajetória íntegra e honesta que Marcelo Déda construiu. É essa a verdade!"
É lamentável que pessoas de bem sejam atacadas por figuras como Edivan Amorim.

Quem deu
o dinheiro
O governador Jackson Barreto (PMDB), candidato à reeleição, questiona a explicação de Edivan Amorim sobre o apartamento milionário em que reside estar no nome da companheira. "Quem deu o dinheiro a esposa? Ela não é rica, não herdou e não ganhou na loteria. Ele precisa justificar a origem do dinheiro para comprar um apartamento que vale de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões". Acha que o que Edivan fez foi apresentar a mulher como "laranja do imenso laranjal", assim como a mãe que disse ser proprietária da empresa Sisan junto com a mulher. "Por conta disso, uma senhora de respeito e de idade responde processo de crime tributário. Esse senhor não respeita nem a mãe. Quem é capaz de fazer isso com a própria mãe?", questiona.

Decepção
Jackson também não esconde a decepção com o empresário Laurinho da Bomfim, suplente do senador Amorim, que quebrou as empresas da família, sem pagar sequer as indenizações trabalhistas. "Foi uma decepção ver Laurinho da Bomfim sentado com o candidato a governador laranja Betinho (PTN), que é pago para me agredir nos programas de televisão". Disse que não sabia que era Laurinho quem financiava o laranja. "Até onde você chegou Laurinho? Não pensava que fosse capaz de fazer isso comigo, até porque é filho de um homem e uma mulher de bem e honrados. Não esperava que você se prestasse a esse tipo de coisa".

Ônibus
Depois da VCA e da Bomfim, empresas da família de Laurinho da Bomfim, que quebraram, o grupo Progresso, da família de Adierson Monteiro, passou a enfrentar dificuldades até para o pagamento da folha de pessoal. Funcionários ameaçam uma paralisação caso não recebam os salários até esta segunda-feira. Mais um problema para a população aracajuana. Adierson é candidato a deputado federal pela coligação de Amorim. Na campanha de 2010 Laurinho foi um dos principais financiadores da campanha a senador de Eduardo Amorim.

Custo
Um rico empresário de Aracaju avalia que Edivan Amorim, pelo estilo de vida que ostenta, inclusive com seguranças armados, gasta por mês cerca de 80 mil mensais. Valor superior ao seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral.

Modelo
Recentemente, ao participar de ato ao lado do prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM), o candidato Eduardo Amorim (PSC) disse que o modelo de saúde que aplicaria no Estado, caso vencesse as eleições, seria o do prefeito de Aracaju. Na sexta-feira, durante debate na TV Atalaia, o candidato não fez a defesa do prefeito e se recusou a defender as OSs, que o prefeito pretende implantar na capital. Limitou-se a dizer que só responde pelos seus atos.

Manipulação
O deputado federal Rogério Carvalho (PT), candidato a senador na coligação de Jackson, denuncia supostas manipulações que estariam sendo feitas por institutos de pesquisas do Estado, principalmente o Dataform. "No próximo domingo vamos mostrar que essas pesquisas estão todas equivocadas e que nós seremos o vencedor", aposta o candidato, responsável pelas maiores mobilizações da campanha eleitoral deste ano.

Preocupados
Rogério começou a campanha eleitoral com mais de 40 pontos atrás da senadora Maria do Carmo Alves (DEM), que tenta o seu terceiro mandato. Hoje as pesquisas indicam que a senadora ainda lidera, mas o crescimento do candidato do PT está preocupando os adversários nesta reta final da campanha. Na semana passada o prefeito João Alves Filho se licenciou do comando da PMA e passou a fazer ataques duros contra Rogério na propaganda eleitoral. O ex-governador Albano Franco, pai de Ricardo, candidato a primeiro suplente na chapa de Maria, também voltou a percorrer o Estado tentando ainda atrair lideranças políticas com acenos financeiros.

Financiamento
Nas últimas prestações de contas apresentadas por Maria do Carmo, Albano se apresenta como principal financiador da campanha. Por isso, as suspeitas de um acordo para que Ricardo Franco assumisse o mandato em caso da vitória de Maria voltaram com mais força. Ainda mais agora, que ele passou a atuar junto às lideranças do interior.

Carreata
Jackson e Rogério promovem hoje uma grande carreata que vai marcar o encerramento da campanha em Aracaju. Sairá da colina do Santo Antônio e percorrerá a maioria dos bairros, terminando na Praia de Atalaia.