Comerciantes estão pessimistas com Dia das Crianças

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Publicada em 07/10/2014 às 00:41:00

Milton Alves Júnior
 miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

O ano de 2014 tem se transformado em tormento para o setor comercial no Estado de Sergipe. Com a perspectiva de crescimento irrisório, tabelado na casa dos 1,5% para vendas para o Dia das Crianças, a ser comemorado no próximo domingo, 12, os empresários já registram déficits no orçamento administrativo, não contrataram profissionais extras para atender a demanda de clientes e permanecem com o estoque repleto de brinquedos ainda não repassados. O pessimismo apresentado pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), em Aracaju, é resultado de sucessivos prejuízos contabilizados ao longo deste ano. Todas as datas comemorativas foram de baixas vendas se comparado ao mesmo período do ano passado. Mega descontos precoces é a alternativa encontrada pelos lojistas.

Esta medida vem sendo adotada desde a última semana quando um grupo de empresários identificou queda representativa nas vendas pré-data comemorativa e necessitaram apelar por menores lucros a fim de evitar maiores prejuízos. Os cálculos e estratégias econômicas parecem ser complexos e de baixo entendimento do consumidor, mas para os donos de lojas, em especial estabelecimentos que revendem brinquedos, vestuário e calçados, o entrelaço financeiro é de resposta simples: antes lucrar 1,5%, do que nada. Esta, na realidade, passa a ser uma boa oportunidade para os pais adquirirem o presente que o filho tanto deseja com menor custo. No Centro de Aracaju, descontos de até 30% já são oferecidos em alguns produtos.

Preocupado com os recorrentes baixos rendimentos comerciais, o gerente de uma loja de eletrônicos instalada no calçadão da rua Laranjeiras, Marcel Pasquim, disse que é possível que este Dia das Crianças se transforme na data comemorativa menos lucrativa dos últimos 20 anos em Sergipe. Na opinião dele, uma série de fatores tem interferido no fortalecimento econômico. "Eu posso apontar a realização da Copa do Mundo como um dos fatores que interferiram no Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados e possivelmente agora no Dia das Crianças. No decorrer deste ano muitas pessoas preferiram presentear a família com viagens, ingressos de partidas e comprometeram a renda de todo o ano", avaliou.

Balanços estatísticos mostram que o Dia das Mães este ano registrou um aumento de 3% se comparado a 2013. Uma redução de 3,5% do esperado. O Dia dos Namorados foi ainda menos lucrativo com 2,3%; e o Dia dos Pais não registrou mais que 1,8%. Mediante estes números pessimistas, a possibilidade de menos de 1% nas vendas desta semana aterroriza os lojistas. Este é o caso do lojista Jian Ferreira Nunes, que teme um retrocesso histórico.

Neste último trimestre de 2014 o representante de calçados já aponta este ano como o pior para o comércio em todo o Brasil, e diz temer que as festas de final de dezembro também registrem quedas. "Estou acostumado a vender pelo menos 150 pares de calçados, sejam eles sandálias, tênis ou rasteirinhas. Esse número é só para a semana que antecede o 12 de outubro. Geralmente no dia 11 a gente chega a vender mais ou menos 80 pares, fora as meias. Se esse problema está desde o início do ano, não acredito que seja diferente em dezembro", lamentou.
Estas estatísticas negativas também foram registradas em outros polos comerciais na Grande Aracaju. Os shoppings centers, estabelecimentos no Siqueira Campos, Augusto Franco, 13 de Julho e São Conrado devem registrar a mesma porcentagem de lucro do Centro da capital.

Causas - Para Samuel Schuster, que preside a CDL/Aracaju, outro motivo que vem interferindo no aumento das vendas é que os consumidores estão mais preocupados em não comprometer o próprio orçamento com compras parceladas. Ainda de acordo com cálculos da CDL, há quatro anos o setor vem desacelerando o seu ritmo de crescimento. Nos anos anteriores, as expansões foram de 3,15% (2013), 4,83% (2012), 5,91% (2011) e de 8,5% (2010). "Trata-se de um conjunto de fatores que contribuem para essa redução em todo o estado. Apesar dessa real redução desde 2010, não podemos negar que este ano tem sido um período atípico. Apenas a Páscoa registrou um razoável aumento nas vendas", declarou Schuster.