O santo é de barro

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O governador eleito JB vai apertar o cinto e a Cultura vai pagar o pato
O governador eleito JB vai apertar o cinto e a Cultura vai pagar o pato

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Publicada em 07/10/2014 às 00:47:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Há diversas maneiras de perceber e se relacionar com a realidade aparente. Toda vez que um jovem da periferia paulista cobre o rosto e investe contra a propriedade no centro da maior cidade da América Latina, por exemplo, recita, a seu próprio modo, um poema de Rimbaud. Peito aberto e punhos fechados. Para escândalo dos apresentadores do Jornal Nacional. Amor de verdade é violento.

Aracaju amanheceu dividida em dois pedaços. De um lado, o nariz empinado dos vencedores. Do outro, o muxoxo dos derrotados. Ninguém ouviu o ganido dos loucos. Aqui não tem Black Bloc. Nem um puto de um artista com culhão para apontar o dedo na direção dos senhores candidatos e proclamar a verdade. Está é só uma: No que diz respeito à Cultura, a minha maneira de tatear o mundo, seguimos os mendigos de sempre.

Poderia ser pior. Sempre é possível afundar o pé na merda mais um pouquinho. Mas por conta do comodismo de uns e outros, os maiores, os mais talentosos, nos ombros largos de quem a responsabilidade deveria estar pesando, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. Os avanços pontuais não são suficientes para esconder a realidade: Sergipe segue sem esboço de políticas públicas voltadas para o segmento da Cultura. Um edital aqui, outro acolá, não vai resolver o problema de seu ninguém.

Devagar com o andor, porque o santo é de barro. Governador eleito, Jackson Barreto lembrou as dificuldades pecuniárias a que estará obrigado nos próximos anos, por força das circunstâncias. Já avisou que vai precisar apertar o cinto. Tomara eu esteja errado, mas os amigos artistas podem esperar um corte providencial no já minguado orçamento da secretaria de Estado da Cultura. Bem empregado.