Deborah Kerr

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SUA IMAGEM ERA A DE UMA DAMA INACESSÍVEL. E NO ENTANTO, NINGUÉM FOI MAIS SIMPLES DO QUE ELA
SUA IMAGEM ERA A DE UMA DAMA INACESSÍVEL. E NO ENTANTO, NINGUÉM FOI MAIS SIMPLES DO QUE ELA

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Publicada em 07/10/2014 às 00:48:00

A incrível Rita Lee, nos anos 1980 compôs "No Escurinho do Cinema", onde homenageia Debora Kerr e Gregory Peck com os versos satíricos: "Se a Débora quer que o Gregory pegue"... e por aí vai, com geniais trocadilhos bem ao estilo da rainha do rock brazuca.

Deborah Kerr era a imagem de uma típica e talentosa atriz inglesa, com aquela postura glacial das que mantém distância das pessoas. Os que a conheceram pessoalmente, porém, puderam constatar que se tratava de uma mulher naturalmente amável com todos. Alguns de seus historiadores contam que a atriz adorava contar e ouvir piadas picantes, bem maliciosas, mesmo aquelas recheadas de palavrões. E nem por isso a sua natural elegância ficava comprometida. Todos, em Hollywood, desde os diretores a funcionários de equipe, gostavam de sua presença nos estúdios ou nas externas de filmagens. Era a mais pura diversão, não obstante a atriz levar o trabalho muito a sério. Sem radicalismo, é claro.

Parecia sempre de bem com a vida, até quando encarava aqueles dramas mais pesados, como "O Céu por Testemunha", onde viveu uma freira sob as ordens de John Huston, que a dirigiu em muitos longas. Não perdeu o humor nem mesmo quando, em 1994, foi receber um Oscar honorário, prêmio de consolação para quem tinha sido seis vezes indicada para o cobiçado troféu, na categoria de melhor atriz. Em uma das vezes por "A Um Passo da Eternidade, no qual foi corajosa ao interpretar uma das cenas mais eróticas que Hollywood já tinha visto até então: aquela com Burt Lancaster na praia. Quem não se lembra?! Nos noticiários sobre sua morte, esse foi o momento mais citado.

Deborah Kerr fez a passagem no dia 16 de outubro de 2007, na cidade inglesa de Suffolk, aos 86 anos de idade. Ao seu lado estava Peter Viertel,escritor e roteirista, seu segundo marido desde 1960. Ele seguiu ao encontro de sua amada logo depois, em 4 de novembro do mesmo ano, fato ocorrido em uma cidade do litoral espanhol, onde o casal tinha uma propriedade
Desde que encerrou a sua carreira de atriz, por volta de 1986, Deborah optou por viver na Europa. Durante muito tempo dividiu-se entre suas casas na Suiça, na Europa e, mais tarde, na Inglaterra. Há anos enfrentava a doença de Parkinson. Ela nos disse adeus, mas a sua versatilidade ficou registrada, seja como a solteirona de "Mesas Separadas", seja a professora do belíssimo musical "O Rei e Eu", seja a governanta que enfrentata fantasmas em "Os Inocentes".
Sem dúvida, uma das melhores atrizes e uma das poucas por quem guardo infinitas recordações. Ave, Deborah!...           
(Resumo do capítulo 79 do meu livro inédito "101 Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena")