Heitor Mendonça, daqui pra frente

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Doido pra pegar o rumo das Oropa mais uma vez
Doido pra pegar o rumo das Oropa mais uma vez

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Publicada em 08/10/2014 às 00:46:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O cantor e compositor Heitor Mendonça não é besta de negar os frutos do próprio trabalho. Depois da participação no programa Sr Brasil, apresentado por Rolando Boldrin, um baluarte do cancioneiro regional, o músico juntou a fome com a vontade de comer e arrastou os acordes paridos com os pés fincados na terrinha até o velho mundo, para uma apresentação consagrada por merecido sucesso na Áustria. Muito bem feito, mas pra frente é que se anda. Esta semana Heitor volta à carga no Museu da Gente, doido pra pegar o rumo das Oropa mais uma vez.

A ideia é experimentar um punhado de composições inéditas, embrião do próximo rebento, antes de uma nova turnê na capital mundial da música erudita. Só tem gente grande na empreitada. Saulo Ferreira (violão solo), Fernando Freitas (bandolim) e Helder Batata (pandeiro), integram o núcleo de músicos reunidos sob o pretexto das canções. O show conta ainda com as participações especiais do Maestro Carlos Mendonça Muskito e do cavaquinista Carlos Henrique Barata.

Se na primeira oportunidade, quando a novidade do desafio não lhe tirou sequer uma noite de sono, não seria agora que Heitor se faria de rogado. Ao ser questionado por essa página a respeito da expectativa, uma suposição natural frente o tamanho do passo que então serlia dado, o cantador esbanjou segurança. "Não me assusta tocar em Viena. Tenho a certeza de um trabalho pronto e músicos excelentes tocando comigo".
Quem escutou o disco de estreia de Heitor Mendonça ou já prestigiou alguma de suas apresentações assina embaixo.

Heitor Mendonça (2013) - Os confetes jogados pelas colunas assinadas no Bar do Camilo assanharam os desconfiados, mas a viola de Heitor Mendonça foi mais eloquente do que as pulgas aquarteladas atrás das orelhas. Nas treze canções reunidas sob o pretexto de seu primeiro disco, o retrato de um artista decidido à posse de uma herança sem tamanho. Uma coroa de cartolina e uma puta responsabilidade.
Menino de apartamento, criado no cativeiro felpudo de tapetes e almofadas, eu esperava torcer o nariz para um sertão impossível nas esquinas da Barão de Maruim. Caí do cavalo. O trabalho de Heitor não nega os seus. Antes, faz questão de aproximar a tradição musical na qual ele foi educado do universo urbano de nossos dias.

Aqui, o seu maior trunfo. Apesar de lançar mãos de símbolos incrustados no solo árido do imaginário nordestino, Heitor não se negou ao diálogo necessário com os temas do individualismo contemporâneo. Pedra dos Raios, faixa que abre o disco, faz mais do que afirmar as pretensões realizadoras do músico. Ao falar de si mesmo, o compositor ultrapassa a geografia tão cara aos círculos de violeiros para falar ao coração da gente.
Heitor Mendonça apresenta 'Música tipo exportação':
Quinta-feira, 09 de outubro, às 22 horas (Museu da Gente Sergipana)