ROGÉRIO E O FUTURO DO PT EM SERGIPE

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Publicada em 13/10/2014 às 22:51:00

O deputado federal Rogério Carvalho, presidente estadual do PT, poderá ter cometido um erro de avaliação quando decidiu ser candidato ao Senado. E o erro se tornaria maior em face das circunstâncias dolorosas da morte e da comoção surgida com o desaparecimento prematuro do governador Marcelo Déda, personagem tão fortemente presente nos anos em que ocupou o centro do palco político sergipano. Para todas as pessoas minimamente dotadas da capacidade de avaliar o momento político e seus desdobramentos, a chapa ideal a ser montada seria a de Jackson para o governo, a viúva Eliane Aquino para o Senado indicada pelo PT, e o vice indicado pelo aliado PSB do senador Valadares. Seria, todos anteviam, uma chapa imbatível e, diante dela o DEM já estudava a alternativa de fazer a senadora Maria do Carmo disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa, garantindo uma legenda farta para abrigar outros candidatos do partido. Maria não seria infensa a essa opção.
Eliane Aquino não tinha contra ela um alto índice de rejeição, muito pelo contrário, e se mostraria uma candidata competitiva, não só pela associação do seu nome a Marcelo Déda como pela capacidade de articulação política que revela, sua facilidade de expressão, dando fluência e conteúdo ao discurso, parecendo, em certos momentos, ser inspirada pelo notável orador que era Marcelo Déda. Toda essa possibilidade perdeu-se quando veio à tona a informação que se mostrou inverídica, de que Eliane não estaria filiada ao PT, e alguns não dando crédito ao que ela afirmava, foram até mesmo grosseiros. Rogério conquistou a presidência do PT numa disputa traumática e repleta de deploráveis incidentes. Eleito, Rogério se recompôs e com muita habilidade foi emendando fraturas. Conseguiu passar a imagem de um PT unido após a refrega. Daí a tornar-se candidato ao Senado foi apenas mais um passo, dado com muito risco, no momento em que as pesquisas mostravam um cenário completamente adverso. Durante a campanha Rogério foi mesmo o ¨trator¨ que se esperava, e quase ao final consegue ultrapassar Maria do Carmo que entrou no páreo com mais de cinquenta por cento das intenções de votos e foi caindo, enquanto Rogério subia. Isso apesar de ter contra ele a grande maioria dos médicos sergipanos, seus colegas, mas que por motivos ainda não claramente explicados, o detestam com fervor. Não houve tempo para a esperada ultrapassagem, e Rogério perdeu a eleição. Com isso o PT sai enfraquecido, perdendo um deputado federal, o eficiente Márcio Macedo. O deputado estadual João Daniel será o único representante sergipano do PT na Câmara Federal. Ele conseguiu eleger-se graças à força eleitoral do MST, e de ter contado com a participação de grande parte dos movimentos sociais, onde é visto como um atuante companheiro de lutas. Também na Assembleia a presença petista se reduz com a saída da eficiente deputada Conceição Vieira, permanecendo, reeleitos, Francisco Gualberto, o mais aguerrido parlamentar petista, caso os votos de Sukita não venham a ser validados, e Ana Lúcia, mais uma vez reeleita com a força dos filiados ao Sindicato dos Professores.
Rogério deixará a Câmara Federal, o que será uma perda para o PT e para Sergipe, porque ele é um deputado com boa atuação em Brasília. Como presidente do PT Rogério terá de reanimar-se e reanimar os companheiros, que precisarão ainda de mais alento caso Dilma Rousseff não venha a ser eleita. Se ela continuar presidente Rogério poderá ser chamado a participar do novo governo em Brasília. Que os seus colegas médicos sergipanos não saibam disso, senão, poderiam até voltar-se contra Dilma.