O EMBATE AÉCIO x DILMA

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Publicada em 13/10/2014 às 22:51:00

Não vamos satanizar Aécio Neves nem reduzir o polarizado embate político, a um confronto maniqueísta entre o bem e o mal. No campo político não há ingenuidade, inocência, e muito menos pureza. A política não é atividade para anjos nem querubins. Não sendo angélica a política não deve ser o exercício mafioso da utilização do poder em beneficio de grupos que se confundem com quadrilhas. Algo assim, exatamente, como o que ocorreu na Petrobrás e está sendo agora eleitoralmente utilizado para desmontar a candidatura de Dilma à reeleição. Se não satanizamos Aécio, não há porque satanizar Dilma, embora ela seja a Presidente da República, e no decorrer do seu mandato tenha acontecido uma parte dos episódios agora revelados por um descarado assaltante que se transforma em delator privilegiado e ouvido como se fosse um confiável oráculo.
A roubalheira na Petrobras seria mais um episódio gerado pela corja comandada por Zé Dirceu que aviltou ainda mais a política e manchou, quase sem recurso a detergentes, a imagem de um partido até então visto como aquele que estaria menos distante de um certo comportamento ético que a política deve preservar.
Sem satanizarmos Dilma nem Aécio, e assim evitando que qualquer um deles possa ser a encarnação do bem ou do mal, surge a evidente constatação de que o ex-governador de Minas não é exatamente o político que possa sair à frente de uma cruzada moralista. Movimentos desse tipo no Brasil, como revela a nossa História, são sazonais, perecíveis, e invariavelmente eleitoreiros. Aparecem às vésperas de eleições e pouco duram depois que as urnas são apuradas.
Aécio eleito presidente não escapará das teias complicadas de uma estrutura política que torna inevitável o contágio do dinheiro. Ele se tornará refém, como todos os presidentes que se viram vítimas ou protagonistas desse sistema, que agora Dilma denuncia, e já o havia denunciado, quando em 2013 propôs a rejeitada tese da Constituinte exclusiva para fazer as mudanças que são imperiosas e imprescindíveis. Dilma, no meio desse lodaçal, parece que não atolou os pés, o mesmo não se poderá dizer de Aécio no decorrer dos seus dois mandatos de governador das Minas Gerais. Os mineiros agora o rejeitaram e fica a grande dúvida se quem falhou assim tão visivelmente em Minas seria o nome certo para corrigir o Brasil.