O POVO TANGEU OS AMORIM

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Publicada em 13/10/2014 às 22:53:00

Para quem já se intitulava conquistador de Sergipe a derrota deve ter um gosto azedo, bem mais do que amargo. Que aprenda o irmão arrogante, inchado de empáfia, que aprenda o irmão, político pré-fabricado e candidato vazio, a lição que lhes deu o povo sergipano. Dos setenta e cinco municípios do estado, em sessenta e sete eles foram derrotados. Pensaram que iriam tanger o povo como se o povo fosse uma irracional boiada, e o povo os tangeu.
Edivan Amorim o autodenominado líder de onze partidos, envolvente mistificador, gabava-se de ter formado em Sergipe a maior aliança de lideranças políticas e empresariais.  Fez o clubinho dos ricos, também montou para ele, faz tempo, uma rede de emissoras que não param de se multiplicar, ajudadas, todas elas, pelas benemerências fartamente distribuídas através da aliada presidente do Legislativo, deputada Angélica Guimarães. Depois de comandar a sabotagem aos projetos de financiamentos externos essenciais para Sergipe, Angélica, como retribuição pelos serviços prestados aos dois irmãos ganhou o disputadíssimo cargo, tão aviltado agora, de Conselheira do Tribunal de Contas.  A cartada final de Edivan foi a cooptação dos proprietários das duas principais emissoras de televisão do estado, a TV Sergipe e a TV Atalaia, e mais uma TV a cabo de reduzida audiência, e ainda, um dos quatro principais jornais de Aracaju e mais uma emissora para juntar à sua rede. Com isso, ele imaginou ter sob controle veículos de comunicação atrelados ao seu ambicioso projeto, supondo que assim a opinião pública seria conquistada depois de submetida a uma lavagem cerebral, ao bombardeio de informações e escamoteação da realidade. Isso não aconteceu como truculentamente imaginou, mas até o adiamento das pesquisas de voto desfavoráveis ele chegou a conseguir. Aos jornais que lhe pareceram hostis o destrambelhado Edivan chegou a classificá-los como vendidos ao governo, e os nominou: Jornal do Dia, Jornal da Cidade e Cinform.
Edivan sem dúvidas é habilidoso, mas lhe falta um mínimo de estofo intelectual para compreender o processo político que flui independente dos conchavos e da troca de favores, por isso, não consegue aferir os sentimentos das diversas camadas da população e comete o erro primário de imaginar que, conquistando as elites, amordaçando os veículos de comunicação, teria aos seus pés a imensa maioria dos eleitores sergipanos anestesiados pela desinformação e até pelo discurso incivilizado e grosseiro que ele próprio adotou em determinado momento da campanha, quando o desespero já lhe subia à cabeça.
Imaginou que o achincalhe lhe renderia votos ou estagnaria a perda, e ai ampliou o desastre.
Além de tudo, o candidato apresentado como portador da grande mensagem de renovação revelou-se tão somente tosco, anódino, repetitivo e insosso, e o projeto salvacionista para Sergipe limitou-se ao ataque diário contra o governo, centrando a artilharia nos dois setores críticos que, todos sabem, não andam bem: a saúde e a segurança, sem, contudo, ir além das promessas vazias de que iria melhorar tudo.
Por outro lado, subestimaram a capacidade de Jackson para respaldar-se na sua história política, para comandar o governo e liderar a campanha, e quando já era tarde sentiram que tinham pela frente um adversário fortíssimo.  Para derrotá-lo, eles precisariam de um engenho e arte que absolutamente não possuíam. O marketing dos Amorins foi péssimo, em alguns episódios até clamorosamente desinteligente, enquanto, do outro lado, mais uma vez revelava-se a expertise de Carlos Cauê, que soube, com maestria, por em relevo as qualidades do candidato. Também, coitados dos marqueteiros dos Amorins, eles tinham que buscar uma impossível maquilagem para o mumificado candidato, e ainda descobrir anticorpos capazes de conter a contaminação causada pela imagem do irmão, líder e autor do premeditado golpe que se disfarçava num ¨projeto político¨.