Nova polêmica entre aliados

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Publicada em 15/10/2014 às 00:57:00

Como é do conhecimento de todos, na semana passada a Executiva Nacional do PSB decidiu apoiar o presidenciável Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições por 21 x 7. Na última sexta-feira, em reunião da Executiva Estadual, o partido em Sergipe decidiu seguir a decisão nacional de apoio ao candidato tucano, mesmo os prefeitos dizendo que votariam com a presidente Dilma Rousseff (PT).

Essa decisão do PSB em Sergipe contrariou algumas lideranças dos partidos que integraram a coligação que reelegeu Jackson Barreto (PMDB) governador. Há um entendimento de que socialistas, que apoiaram Marina Silva no primeiro turno, podiam passar a apoiar Dilma no segundo turno, acompanhando os outros 10 partidos que integraram a vitoriosa Coligação "Agora é o Povo", que elegeu também a maioria dos deputados estaduais e federais.

O descontentamento é maior porque Estados como a Bahia e o Amapá - que na reunião da Executiva Nacional defenderam primeiro o apoio a Dilma Rousseff e depois a neutralidade do partido para que cada Estado pudesse votar de acordo com a sua realidade e foram vencidos - decidiram que vão apoiar a reeleição da presidente.     

Na última sexta-feira, a executiva do PSB na Bahia, encabeçada pela senadora Lídice da Mata, terceira colocada nas eleições estaduais, anunciou apoio a Dilma Rousseff. O presidente do PSB no Amapá, senador João Capiberibe, afirmou que apesar de ter sido voto vencido na Executiva Nacional, o partido no Amapá vai fazer campanha para a petista no segundo turno das eleições.

Lideranças da base aliada do governo avaliam que o PSB em Sergipe devia ter seguido o mesmo caminho do partido na Bahia e no Amapá, até porque o vice-governador eleito na chapa da coligação, Belivaldo Chagas, é do PSB. Sem falar que o partido nas duas últimas décadas sempre foi um aliado do PT em Sergipe e em Brasília.

O governador eleito Jackson Barreto não escondeu ontem o seu descontentamento pelo apoio do PSB em Sergipe ao candidato tucano, durante reunião pela manhã com lideranças políticas visando reforçar as ações de campanha nessa reta final. Ao pedir a unidade, JB deu alguns murros na mesa e afirmou que o grupo não poderia mudar da orientação política que foi vitoriosa nas eleições.

Jackson, que assumiu a coordenação da campanha de Dilma em Sergipe, recebeu o apoio de prefeitos e lideranças do PSB presentes a reunião em um hotel da Coroa do Meio, que junto com as demais lideranças aplaudiu e gritou o nome de Dilma.
O apoio oficial do PSB de Sergipe a Aécio Neves é mais um arranhão na relação política PMDB/PT/PSB. O primeiro foi antes da campanha eleitoral, quando socialistas deixaram o governo, ameaçaram disputar a eleição com candidato próprio e até mesmo aliado ao prefeito João Alves (DEM) ou ao senador Eduardo Amorim (PSC).

Engajado no projeto
O vice-governador eleito Belivaldo Chagas (PSB), que participou ontem da reunião pró-Dilma, disse que não poderia votar contra a presidente Dilma Rousseff por entender que a sua reeleição está inserida no projeto do grupo político liderado pelo governador Jackson Barreto (PMDB). Disse que não só ele, mas diversos prefeitos e lideranças do seu partido já estão trabalhando em prol da reeleição da presidente.

Justificativa
"Eu, particularmente, já me reuni com os oito vereadores do PSB da cidade de Simão Dias e todos já confirmaram que estão com a candidatura da presidenta Dilma", informou Belivaldo, explicando que não tinha condições de acompanhar o candidato dos adversários nas eleições deste ano. Se referiu ao candidato a governador derrotado Eduardo Amorim (PSC), que apoia o presidenciável Aécio Neves.
Nova mobilização
Ontem à tarde, Jackson Barreto e Belivaldo Chagas se reuniram no Iate Clube com a militância para pedir mais empenho na reeleição de Dilma Rousseff. Declarou que chegou a hora de mostrar a cara por gratidão a Dilma, pelo que fez por Sergipe. O seu discurso empolgou e deu chá de ânimo.

Alfinetada a Valadares
De JB em seu discurso no Iate: "Não entendo lideranças que foram da direita, que disseram que se encontraram na esquerda e do nada voltam para a direita. Não tem problema, vamos seguir em frente". Belivaldo ficou visivelmente constrangido.

Ponto de vista
O senador Antonio Carlos Valadares (PSB) declarou ontem que não tem qualquer constrangimento em apoiar Aécio Neves, que inclusive é seu colega no Senado. Ressaltou que embora esteja apoiando o mesmo candidato de Eduardo Amorim, permanece adversário do PSC no Estado.

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Valadares, inclusive, reagiu aos descontentamentos de aliados com a sua posição. Afirmou: "Ainda está por nascer alguém que me faça recuar diante de uma decisão legítima e consciente tomada, democraticamente, pelo PSB nacional. A decisão do PSB nacional não compromete a honra nem o nosso passado face à realidade do Brasil de hoje. Não dei a palavra a ninguém sobre o 2° turno".

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Declarou ainda o senador: "É preciso que se respeite o PSB, que sempre teve uma conduta ética, decente e leal com os seus aliados em várias eleições jamais fugindo da luta. Na reunião do PSB nacional defendi a proposta da liberação total da escolha presidencial. Fui derrotado fragorosamente. Sigo a maioria e ponto".

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Finalizou dizendo: "Insinuar que apoiar Aécio é ficar do lado de Eduardo Amorim é querer agradar ao poder e anular o meu papel na vitória de Jackson Barreto. As minhas premonições me avisam: apenas estão inventando pretexto pra 2016 e 2018. Quem viver, verá!".

O que pensa
Ontem, no programa de George Magalhães, Roberto Amaral, que deixou a presidência nacional do PSB após apoio do partido a Aécio Neves, lamentou que a nova direção da legenda tenha "descido a um nível tão baixo". Disse que irá lutar para o seu partido voltar ao seu trilho "de esquerda e da democracia" e que a decisão de apoio ao tucano é uma traição a Eduardo Campos e a história política do PSB.

Apelo
Roberto Amaral, que se mostrou surpreso com a declaração púbica do senador Valadares de apoio a Aécio Neves, apelou aos militantes do PSB de Sergipe que se mantenham firmes em seus posicionamentos de esquerda.

Mobilização
comunista
O PCdoB realizou ontem à noite, no auditório do Sindicato dos Bancários, uma Grande Plenária em apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Na oportunidade, foi fechada uma agenda de mobilizações em prol da campanha em Sergipe.

Mobilização tucana
Os tucanos e simpatizantes em Sergipe também realizaram ato de mobilização de campanha pró-Aécio Neves nesse segundo turno. Foi anteontem à noite, na Câmara dos Dirigentes Lojistas de Aracaju (CDL) com a participação de presidentes de partidos e lideranças políticas das 15 legendas que integraram a Coligação "Agora Sim", liderada por Eduardo Amorim.

Concepção
De Eduardo Amorim no ato tucano: "Quem esteve com Marina Silva no primeiro turno agora estará com Aécio Neves e queremos que os indecisos na primeira votação também apoiem o projeto de Aécio para a mudança do nosso País".

Participação
Presentes a reunião o presidente do PSDB, Roberto Góes; o prefeito de Aracaju, João Alves Filho; o vice-prefeito José Carlos Machado; o ex-governador Albano Franco; a senadora reeleita Maria do Carmo; o senador Kaká Andrade; e o candidato a vice-governador Augusto Franco Neto.

Desfiliação
O ex-deputado federal Jorge Alberto deixou ontem, oficialmente, o PMDB. Jorge Alberto, que nas eleições deste ano apoiou Eduardo Amorim, declarou que deixa o partido para ser coerente com sua história política. Frisou que ao sair do PMDB, único partido que foi filiado em sua vida política, se fecha um ciclo da sua vida política partidária.

Sobre o embate
Do presidente estadual do PT, o deputado federal Rogério Carvalho, sobre a campanha eleitoral discriminatória para presidente no segundo turno: "Essa luta que nós temos nos próximos dias não é uma luta de nordestinos contra paulistas, de ricos contra pobres. É uma luta de quem tem a política como um instrumento de inclusão, é uma luta daqueles que querem o Brasil para todos os brasileiros".

Curiosidades 1
Dos 1.621 candidatos eleitos no primeiro turno das eleições, no último 5 de outubro, a maioria tem entre 50 a 59 anos, de acordo com os dados estatísticos divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esses dados são referentes aos cargos de governador - aqueles que foram eleitos já no primeiro turno -, senador, deputado federal, estadual e distrital.

Curiosidades 2
A média de idade dos 13 governadores já eleitos abrange várias faixas etárias: foram três eleitos entre 45 e 49 anos, mais três entre 50 e 54 anos. Dois estão entre 55 a 59 anos e mais dois entre 60 e 64 anos. As demais faixas etárias comportam apenas um candidato cada uma: entre 35 a 39 anos, 40 a 44 anos e 70 a 74 anos.

Veja essa...
Do candidato derrotado ao Senado, Rogério Carvalho, ontem à tarde, durante reunião com a militância, no Iate Clube, ao agradecer a votação que obteve nas urnas: "O ex-governador Albano Franco é o político que mais trapaceou na história política de Sergipe. A sua televisão divulgou três pesquisas fraudadas para me derrotar para o Senado. Pelas pesquisas, eu não teria 240 mil votos. Obtive 417 mil votos, o correspondente a 45,52% dos votos válidos". Rogério fez menção ao filho de Albano, Ricardo Franco, ter sido candidato a primeiro suplente de senador da sua adversária Maria do Carmo Alves (DEM).

Curtas
De Jackson Barreto ontem, durante entrevista a Jornal AM: "Se tem uma pessoa que me magoou nessa campanha foi Albano Franco".

Os resultados das eleições do segundo turno só poderão ser divulgados após as 20h (hora de Brasília) por causa do horário de verão, que entra em vigor neste domingo (19).

A medida é necessária para evitar que números da apuração sejam conhecidos antes de a eleição ter sido finalizada em todo o país. Com o horário de verão, a diferença de fuso horário entre o Acre e parte do Amazonas e Brasília aumentará de duas para três horas.

As pesquisas de boca de urna para presidente da República também só poderão ser publicadas após as 20h.

Segundo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, essas medidas por conta do horário de verão visam garantir a segurança do voto.