Alex Sant'Anna em mil pedaços

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
Uma Micro Tour dentro do eixo
Uma Micro Tour dentro do eixo

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 15/10/2014 às 00:02:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Alex Sant'Anna é mais um entre os nossos a pegar o rumo para uma série de apresentações no sul maravilha, uma Micro Tour dentro do eixo. Na volta vai ter que dar conta da experiência aqui nas páginas do Jornal do Dia. Por hora, fica a satisfação proporcionada pela boa nova. Já não era tempo.

Lá se vai uma década inteira desde o lançamento do primeiro registro oficial assinado pelo cantor e compositor Alex Sant'Anna. Dez anos, 01 disco, 02 EP's. Parece pouco, e realmente está longe de fazer justiça ao espaço conquistado nos palcos dedicados à música independente, em vôo solo ou à frente da festiva naurÊa. Em sua relativamente breve discografia, no entanto, um apanhado dos rumos tomados pelo conjunto da cena brazuca desde que o artista colocou o pé na estrada.

Tudo depende do contexto. Quando 'Aplausos mudos, vaias amplificadas' (2004) foi lançado, a disposição para mirar além do horizonte da então acanhada cena sergipana parecia uma escolha ousada. A conjugação de barro e aço, lirismo e guitarras, parecia contrariar o status de artista local perseguido pelos seus contemporâneos. Alex investiu no confronto, mas contra todas as previsões não foi expatriado. O incipiente mercado de música local não permaneceria imune às convulsões de uma indústria à beira da falência. A tecnologia abria as cancelas da informação.

Alex jogou verde e colheu maduro. Seis anos mais tarde, o EP 'Cansado' (2010) encontraria o terreno já aplainado, assentado em novas bases. Nas seis faixas do registro, um testemunho de como tudo ocorreu rápido. Formada por músicos de primeira grandeza, a banda reunida para a empreitada sobra. Sangue novo e cheio de gás. Em que pese a maturidade inquestionável de Alemão (baixo), Aragão (cavaquinho e bandolim) e Abraão Gonzaga (guitarra), é preciso destacar, ainda, a atuação de Léo Airplane. Além de assinar a produção do disco, o músico executa nada menos do que bateria, samples, melotron e, sobretudo, os teclados. Os synths comandam.

Um passo de cada vez. Seis músicas aqui, quatro adiante, Alex Sant'anna fez o possível para se manter em atividade, ainda que em mil pedaços. Ninguém despencou dos edifícios, não teve corpo deitado na linha do trem. Para o bem e para o mal, no entanto, o EP está mais vivo do que nunca. E Alex usou e abusou do formato.
Em cada fração, o compositor inteiro. Pode até ser que, uma vez reunidos, os cacos neguem o mosaico. Por hora, enquanto o segundo disco de Alex Sant'Anna não chega, 'Fragmentos' (2012) reitera que ninguém perde por esperar.