Pesquisas eleitorais

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Publicada em 17/10/2014 às 00:45:00

Nas eleições deste ano os institutos de pesquisa erraram feio em alguns Estados, inclusive Sergipe, com relação a candidatos a governador e senador. Erraram feio na Bahia e no Rio Grande do Sul para governador, e em Sergipe e Tocantins para o senado.
Na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, o candidato José Ivo Sartori (PMDB) levou mais de 40% dos votos e, no segundo turno, briga com Tarso Genro (PT), que ficou com pouco mais que 32%. Na pesquisa do Datafolha para o Estado divulgada no sábado (4), o petista apareceu como favorito para levar o primeiro lugar e em segundo lugar apareciam empatados com 25% o pemedebista e a candidata do PP, Ana Amélia Lemos.

A eleição de Rui Costa (PT) para o governo da Bahia no primeiro turno também divergiu dos resultados apresentados pelas pesquisas eleitorais no Estado. De acordo com levantamento do Ibope publicado no dia 4, os dois favoritos estavam empatados com 36% dos votos, assim, a votação baiana teria segundo turno com uma provável disputa entre o petista e o candidato do DEM, Paulo Souto. Ao final da contagem, Rui Costa superou os 54% dos votos válidos, ganhando assim no primeiro turno, enquanto seu rival conquistou pouco mais que 37%.

Em Sergipe, três institutos de pesquisa (Ibope, Vox Populi e Dataform), às vésperas das eleições, davam uma vitória para o Senado de Maria do Carmo Alves (DEM) sobre Rogério Carvalho (PT) com um percentual superior a 20%, o que seria um massacre. Aberta as urnas e computados os votos, Rogério perdeu por apenas 3% dos votos.
Em Tocantins, o Ibope divulgou na véspera das eleições de 05 de outubro que para o Senado Kátia Abreu (PMDB) ganharia para Eduardo Gomes (SD) com uma diferença de 24%. No final a diferença foi de apenas 0,87%.

Em discurso anteontem na Câmara, o deputado federal César Halum (PRB-TO), reeleito com 6,1% dos votos, criticou a publicação de pesquisas eleitorais, que segundo ele estavam "contaminadas" e influenciaram de forma negativa os eleitores.
Ao citar o Tocantins como exemplo, Halum pontuou a disparidade dos percentuais divulgados com os obtidos nas urnas. "Posso dizer com convicção, que na disputa pelo senado, o Eduardo Gomes perdeu o mandato para o Ibope, e não para a Kátia Abreu. Às vésperas da eleição, divulgaram a diferença de 24%, no final foi de 0,87%. Para o governo as pesquisas mostravam que perderíamos por 17% e nas urnas veio somente 6,58%. No mínimo tem algo errado, e por isso é preciso transformar essa prática em crime eleitoral", asseverou o deputado, citando que não é a primeira vez que o Ibope comete esse tipo de erro no Tocantins.

César Halum disse que apresentará nos próximos dias um Projeto de Lei Complementar, que permitirá a divulgação de pesquisas somente até 20 dias antes do pleito. "É preciso uma intervenção da Lei ou ficaremos a mercê destas pesquisas mentirosas. Dei o exemplo do Ibope, mas são várias as empresas que se prestam a esse tipo de serviço".
A senadora Ana Amélia (PP-RS) também quer discutir a divulgação de pesquisas eleitorais na reforma política. Ela citou vários erros das pesquisas do primeiro turno das eleições, inclusive relacionados à própria candidatura ao governo do RS.

O deputado federal Rogério Carvalho, que também foi vítima das pesquisas para o Senado, disse que quando retornar a Câmara após o 2º turno fará um discurso sobre as pesquisas. Vai defender o impedimento da sua divulgação ou que seja disciplinada, com a proibição da divulgação por veículos de comunicação de familiares envolvidos na eleição.
Que alguma coisa tem de ser feita sobre a divulgação das pesquisas, tem. Em 2006, o Ibope cometeu o mesmo erro com relação à candidatura de José Eduardo Dutra (PT) ao Senado, que, coincidentemente, disputou com Maria do Carmo (DEM) e perdeu com uma diferença de 3%, quando as pesquisas davam uma diferença de mais de 20%. 

Questionamento
Do deputado federal reeleito César Halum (PRB-TO) sobre as pesquisas: "O Tribunal Superior Eleitoral penaliza todos os políticos que erram no processo eleitoral. E essas empresas de pesquisas eleitorais, não tem nenhuma punição para elas? Elas induzem o eleitor ao voto, invertendo resultados, e fica por isso mesmo?".

Novos tempos
O governador eleito Jackson Barreto (PMDB) conseguiu ontem uma vitória na Assembleia Legislativa. Os deputados aprovaram projeto de lei do Poder Executivo permitindo que seja antecipado, mensalmente, R$ 70 milhões de royalties da exploração de petróleo e gás natural para capitalização do Fundo Financeiro de Previdência do Estado de Sergipe (Finanprev).

Aberto diálogo
Jackson conversou individualmente com os deputados mostrando a importância da aprovação desse projeto. Explicou que esses R$ 70 milhões que o Estado retira mensalmente dos cofres públicos são recursos que poderiam ser investidos na saúde, educação e segurança pública e, consequentemente, havendo aprovação do projeto isso será feito.

No Ceará 1
Acompanhado do pároco da Catedral Metropolitana, Jackson Barreto se reuniu ontem, em Fortaleza, com o presidente do Banco do Nordeste, Nelson Antônio de Sousa, para discutir a liberação de recursos já acordados para a continuação da reforma da igreja. Hoje, também em Fortaleza, Jackson e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Saumíneo Nascimento, assinam protocolo de intenções com o grupo M. Dias Branco para a construção de uma nova fábrica de cimento do Estado.

No Ceará 2
Na oportunidade, o governador vai pedir ao grupo M. Dias Branco que veja a possibilidade de ajudar financeiramente na reforma da Catedral. Esse grupo empresarial é um dos maiores do Nordeste.

Na agenda
Jackson retorna no início da tarde e, às 17h30, inaugura o projeto de iluminação pública da rodovia que liga Riachuelo a Divina Pastora, que dará mais segurança aos peregrinos e moradores da região. A tradicional peregrinação da cidade de Divina Pastora, que acontece anualmente no terceiro domingo do mês de outubro - vai ocorrer no dia 19 - e atrai romeiros de várias cidades do Nordeste.

Ponto de vista 1
O deputado federal reeleito Fábio Reis (PMDB) acha que a partir de agora o governador eleito deve focar na área administrativa, fazer um bom governo e história. Revela que a grande dúvida é se ele vai querer ousar para fazer as reformas necessárias com coragem, fazer um governo diferente dos outros ou manter a mesmice, a velha guarda como a da Portela ou inovar como o carnavalesco da Unidos da Tijuca, Paulo Barros.

Ponto de vista 2
Para Fábio, o governador vai ter que fazer um parto normal, sem qualquer anestesia. "Não existe parto normal sem dor. O PT está no comando do governo há 8 anos. Hoje o PMDB chega ao governo, devendo fazer uma reforma administrativa ampla, uma repactuação política administrativa", defende.

Ponto de vista 3
O parlamentar peemedebista acha que todos os aliados devem dar liberdade para que o governador eleito possa montar a equipe do seu jeito, sem pressões. "Consequentemente a base aliada deve compor esse novo governo para ajudá-lo na esfera administrativa. A hegemonia que existiu com o PT, hoje é do PMDB. Então será natural essas mudanças nas cadeiras, que deverá acontecer a partir de janeiro".

Sobre as eleições
O ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) avalia que a vitória de Jackson Barreto mostra que o estado de Sergipe não quis voltar atrás e representa a retomada da força de colisão, uma vez que após as eleições de 2010 o bloco ganha em Aracaju e com uma diferença de 35.565 votos. "É o acerto do projeto começado por Marcelo Déda, que Jackson Barreto deu continuidade. Agora é melhorar, avançar na saúde, educação e segurança pública", afirmou, enfatizando que JB ganhou com uma diferença superior a 122 mil votos, sendo a maior da história política de Sergipe de 1990 para cá.

Avaliação
Com relação a atuação do PCdoB nas eleições, Edvaldo disse que o seu partido elegeu um deputado estadual (Padre Inaldo) e ele foi o federal da coligação mais votado em Aracaju (23.695 votos). "Apesar de não ter vencido as eleições, fiquei orgulhoso e feliz com a grande votação que tive em Aracaju. Assim como com o fato do PCdoB ter elegido um deputado estadual", afirma o ex-prefeito.

Sobre o PSB 1
Ao ser questionado sobre a decisão do PSB em Sergipe ter decidido acompanhar a orientação partidária nacional de apoiar o presidenciável Aécio Neves (PSDB) ao invés de Dilma Rousseff (PT), Edvaldo Nogueira avalia que todo o diretório tem o direito de tomar a decisão que quiser, mas acha que nesse momento é importante fortalecer Jackson Barreto.

Sobre o PSB 2
Edvaldo lembra que na Bahia e na Paraíba, por exemplo, as lideranças do PSB vão apoiar Dilma Rousseff. "Esse seria o caminho natural em Sergipe, que sempre foi aliado do PT. O governo federal tem importância grande junto ao governo estadual. A vitória de Dilma fortalece o governo de Jackson, com recursos e obras", afirma, enfatizando que reconhece que Dilma precisa corrigir rumos, ser mais dura com a corrupção e com as questões relativas à saúde e segurança pública, mas ela é o melhor nome para dar continuidade às mudanças no país.

Veja essa...
De Edvaldo Nogueira: "A vitória de Aécio Neves seria uma pedra no sapato do governador eleito Jackson Barreto. Todos os aliados do primeiro turno deveriam estar com Jackson e apoiando a reeleição de Dilma como forma de fortalecer o projeto político local. A unidade fortalece o projeto. A divisão enfraquece o grupo". 

Curtas
O senador Eduardo Amorim (PSC) voltou ontem às ruas para fazer panfletagem neste segundo turno das eleiçõaes pró-Aécio Neves (PSDB). Foi por volta das 17h, na Av. Rio de Janeiro, na rótula do Posto Aperipê.

Ao lado estava um grupo grande de militantes pró-Dilma, também fazendo panfletagem e adesivagem em favor da presidente. Não houve nenhum incidente, apenas a festa da democracia com bandeiras vermelhas e azuis.

O Diretório Estadual do PSDB, juntamente com o PSDB-Mulher de Sergipe, realiza hoje um novo ato em favor da candidatura do presidenciável tucano. Será às 16h30, na sede da CDL, com a participação de lideranças políticas, comunitárias e empresariais.

Do vereador Iran Barbosa (PT), em discurso ontem na Câmara Municipal, sobre o segundo turno das eleições presidenciais: "O momento exige comparações entre os modos de governar do PT e do PSDB".

Do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), com relação ao fato de que a partir de janeiro de 2015, 28 partidos terão representação no Congresso Nacional: "Essa divisão não colabora com a politização do país e nem com a elevação do nível de consciência do eleitor".