Conversa pra boi dormir

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Publicada em 14/06/2012 às 10:52:00

O compromisso de governos e sociedade com a eficiência energética e os investimentos em energia sustentável estão entre os objetivos pretendidos pela Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O evento começou ontem, na capital carioca, com a ambição de orientar a gestação de um novo modelo de desenvolvimento, baseado na equalização da importância atribuída à econômica, social e ambiental nos corpo das políticas públicas.
O maior perigo que ronda a Rio+20 é também a aposta mais certa. É lamentável, mas eventos dessa natureza costumam redundar em coisa nenhuma. Os líderes mundiais responsáveis pelo modelo econômico que tem causado a gradual degradação do planeta aproveitam a oportunidade de ficar em paz com o contribuinte e varrem a poeira pra baixo do tapete, mais uma vez. Alguém já se perguntou de que serviu a realização da Eco 92? E a redação do protocolo de Kyoto? E as metas do milênio? Tudo conversa pra boi dormir.
O discurso é a carta na manga de certa estirpe de homem público, cujo patrimônio político foi amealhado na base da conversa fiada. Não é à toa que a Rio+20 é ignorada solenemente além dos círculos verdes, diretamente comprometidos com a peleja.
Segundo o jornalista Andre Forastieri, a imprensa mundial trata o evento "com a desimportância que merece. Um giro pelos principais veículos de comunicação do mundo - BBC, CNN, Guardian, New York Times e El País - não resultariam em uma única linha sobre a Rio+20. "Le Monde tem um artigo escondidinho - mas só usa o gancho daw conferência para cutucar Dilma, lembrando a moleza com os ruralistas no imbróglio do novo Código Florestal".
Para dar conta das próprias pretensões, a Conferência precisaria ser composta por outra espécie de lideranças. Infelizmente, líderes de verdade, aqueles comprometidos com a causa comum, são artigo raro em qualquer lugar do mundo.