Sem luz no fim do túnel

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Publicada em 17/07/2012 às 15:02:00

A indisposição para o diálogo manifestada pelo Governo Federal ameaça protelar ainda mais a greve que prejudica o corpo discente das universidades públicas brasileiras. A tentativa de negociação com uma proposta muito aquém do que seria razoável não sensibilizou os professores e a queda de braço deve continuar, interferindo na vida de um bocado de gente. Somente aqui no estado, mais de 10 mil alunos que assistem aula nos diversos campi da Universidade Federal de Sergipe aguardam o fim da peleja.

O presidente regional do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), professor Carlos Alberto Pires, explica que os principais pontos reivindicados pela categoria ainda não foram atendidos. Um deles é o fim das gratificações, que seriam incorporadas ao salário. Pela proposta, porém, 54% da remuneração seria composta por esses benefícios. Além disso, o cala a boca do governo seria concedido em três etapas, entre julho de 2013 e 2015.

Após dois meses de silêncio - a greve foi deflagrada nacionalmente no dia 17 de maio -, as autoridades bem que poderiam ter encontrado uma solução compatível com a alegada importância atribuída à educação enquanto estratégia de desenvolvimento. É inadmissível que um governo que possui suas raízes ligadas à criação do movimento sindical brasileiro se recuse a reconhecer a importância de um plano de carreira que contemple os profissionais de educação.

É preciso ampliar a discussão e extrapolar as tabelas salariais, oferecendo as condições necessárias para que o ensino superior promova as transformações sociais prometidas e sempre adiadas pelas políticas públicas. De outro modo, a discussão ficará aprisionada no túnel sem saída em que se meteu desde o início da paralisação, que conta com a adesão de 57 das 59 universidades federais, além de 36 institutos de educação básica, profissional e tecnológica. Trocando em miúdos: a burrice foi a única recompensa recolhida após sessenta dias de intransigência.