Mais um causo caicoense

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Publicada em 14/06/2012 às 11:10:00

* Rômulo Rodrigues

Lá pelos idos de 1987, no período da Festa de Santana, estava eu a aguar as plantas do jardim da nossa casa quando um cidadão ao me confundir com um irmão mais novo pergunta se tenho um rolo de corda para lhe emprestar. Como estava de costas para o portão, respondi como se fosse o mano, que perde o amigo, mas, não perde a oportunidade: se for para você se enforcar, tenho. Naquele instante, outro amigo que estava sentado no batente debulhando feijão deu um pulo, arremessou a bacia longe e retrucou não me fale uma coisa dessas. Ato contínuo contou que um certo dia, estava a debulhar feijão, sentado no batente de casa, quando passa um vizinho e o cumprimenta. Para puxar algum papo perguntou onde o mesmo estava indo e este respondeu que iria até a bodega da esquina comprar uma peça de corda.
Como o bom caicoense não perde a oportunidade de tirar uma onda, disse: se for para você se enforcar tenho uma novinha lá dentro. O vizinho confirmou seu intento e este prontamente foi buscar a corda e entregou-lhe. Não passaram cinco minutos e a tragédia aconteceu. Daí o pulo do amigo quando brinquei me fazendo passar por meu irmão.
Um detalhe tem um neto do suicida que é engenheiro da Petrobrás e trabalha aqui em Sergipe que já confirmou esta história.
Mas, deixemos Caicó de lado e vamos ao que interessa. A atualidade do ditado popular que diz que não se deve falar em corda em casa de enforcado.
É exatamente isso que está acontecendo na política de Sergipe após o fato político da eleição da mesa da Assembleia Legislativa no apagar das luzes de fevereiro, justo na ressaca do carnaval, quando armaram um cadafalso para enforcar o governador e , no teste drive, acabaram se enforcando.
A partir de então, o governador não pode mais pronunciar publicamente palavras que fazem parte do cotidiano do seu vocabulário e que estão no DNA da sua estrutura política como, honestidade, ética, lealdade e repúdio a qualquer ato catalogado como traição. É só falar, que vem a enxurrada de enforcados a bradar contra o governador como se fosse ele o causador da arapuca política que pegou no contrapé os que não sabem a diferença entre aliança de convivência e aliança de conveniência.
   Não é só o sentimento confesso de culpa demonstrado nas reações dos que entendem a política como espaço de demonstração de poder pelo uso da distribuição farta de ajuda para as campanhas, o que chama à atenção é sim, o fato de ao vestirem a carapuça deixarem transparecer que pagaram a fatura sozinhos e este é um preço pago por quem substitui a cautela pela precipitação, à sabedoria pelo uso da força, para quem vê, fotografa, mas, não entende o que significa a estátua da cobra dominando um touro, que simboliza a hidroelétrica de Paulo Afonso.
Inteligentes, são os que logram derrotar um forte aliado sem lutar claramente contra ele.
Se espírito milita em partido político, o de Sunt-Zu anda por aqui.
Para quem exaltou "O silêncio dos inocentes" é fácil entender a alusão ao comportamento premonitório das ovelhas quando conduzidas ao matadouro, sem balir, em silêncio. Mas, isto é assunto para Dr. Lecter.
Difícil é entender a forma apática de um partido, no vigor dos 32 anos, de se deixar levar ao cadafalso.
Como as pesquisas continuam sendo numa metamorfose ambulante que variam conforme as mudanças de temperatura sugiro aos que vão tomar as decisões finais que estudem Termodinâmica Aplicada, principalmente o 1° e o 2° ciclo de Carnot.

* Rômulo Rodrigues é militante político