Dennis Hopper

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CENAS DE ALGUNS FILMES QUE MARCARAM A CARREIRA DE UM GRANDE ATOR
CENAS DE ALGUNS FILMES QUE MARCARAM A CARREIRA DE UM GRANDE ATOR

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Publicada em 11/11/2014 às 00:49:00

TAKE 84

Desde que começou no Actors Studio, de Lee Strasberg, escola de teatro por onde passaram entre outros ícones, James Dean e Marilyn Monroe,, Dennis Hopper já era conhecido como um ator intenso, dado a explosões de fúria causadas por bebidas e drogas. Depois de fazer dois filmes de sucesso com James Dean (Juventude Transviada", 1955, e "Assim Caminha a Humanidade", 1956), o ator sabotou a própria carreira ao brigar com o diretor Henry Hathaway nas filmages de "Caçada Humana" (1958). Desde então levou a pecha de ator difícil e arrogante,. Melhor assim do que ser  puxasaco e subserviente, topando tudo, aceitando todas as humilhações para garantir a participação em filmes quase sempre medíocres.

Hopper tinha amigos igualmente "difíceis": era chapa de James Dean e ficou arrasado quando o jovem astro em ascensão morreu num acidente de carro, em 1955. Um dos biógrafos de Elvis Presley, Peter Guralnick, diz que Hopper foi companheiro de quarto de Elvis em 1956, quando este começou sua carreira em Hollywood. Imagine o nível de estrago causado pela dupla...
A insolência de Hopper lhe custou a perda de muitos pápeis no cinema. Sua carreira foi salva, curiosamente, pelo cara mais caretão e conservador, o astro de Hollywood, John Wayne. O eterno caubói, fazendo um favor à atriz Margaret Sullavan, então sogra de Hopper, conseguiu um papel para ele em "Os Filhos de Katie Elder (1965).

A carreira de Dennis Hopper não decolou até o fim dos anos 1960, quando se envolveu num projeto com o amigo Peter Fonda. O resultado foi "Sem Destino" (ou Easy Rider). Visto hoje, "Sem Destino" envelheceu mal. Como a maioria dos filmes "de protesto"  da época, tem diálogos ridículos e hippies que parecem paródias de humorísticos de TV. Mas, em 1969, numa América em ebulição com os assassinatos de Bobby Kennedy e Martin Luther King e assombrada pelos Panteras Negras e pelo Vietnã, "Sem Destino" caíu como uma bomba atômica. Foi imenso sucesso de bilheteria e crítica, abrindo as portas para uma nova geração de diretores que mudou a indústria do cinema. O público queria histórias novas, contadas por gente nova, de maneira nova. E o road movie de Hopper com Peter Fonda e Jack Nicholson, era exatamente isso. "Sem Destino" simbolizava um novo cinema. Simplesmente irado, "véio"!

O sucesso do filme abriu as portas para uma geração de diretores que dominou Hollywood nos anos 1970, como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Peter Bogdanovich, Brian de Palma, Arthur Penn, William Friedkin, Michael Cimino, Hal Ashby, Steven Spielber, George Lucas e tantos outros.
O trunfo indiscutível de "Sem Destino" mexeu com a cabeça de Hopper. Seu ego foi à estratosfera, assim como seu gosto por cocaína e ácido. Em 1970, casou-se com Michelle Phillips, do grupo The Mamas and the Papas. O casamento durou oito dias e foi anulado depois que Hopper ameaçou a esposa com uma arma. Amigos faziam apostas para ver quanto tempo ele duraria.

O câncer levou Dennis Hopper, 74, um dos últimos rebeldes do cinema.
Ele foi um Bady boy dentro e fora das telas, um homem que se confundiu com seus personagens e que virou um ícone da contracultura. Ninguém encarnou tão bem as contradições, a rebeldia (doce rebeldia!) dos anos 1960, como Dennis Hopper.     
(Resumo do capítulo 84 do meu livro inédito "101 Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena")