Petrobras confirma pagamento de propina a funcionários por empresa holandesa

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Publicada em 18/11/2014 às 10:05:00

Isabela Vieira
Agência Brasil

A presidenta da Petrobras, Graça Foster, confirmou ontem (18) que a empresa holandesa SBM Offshore, com quem mantém contratos de locação de plataformas, confessou ter pago propina a funcionários da estatal para conseguir contratos. A empresa estrangeira, no entanto, não indicou quem subornou, tampouco os valores da operação e não poderá mais participar de licitações da estatal, destacou Graça Foster.

A Petrobras tinha instalado uma Comissão Interna de Apuração para investigar a denúncia, à época em que surgiu, em fevereiro, e incluiu viagens aos Estados Unidos e à Holanda. Porém, não conseguiu comprovar ilegalidades. Hoje, em entrevista para justificar o adiamento da divulgação do balanço contábil, a presidenta da Petrobras revelou que, após o término das investigações internas se deparou com uma prova irrefutável do suborno.
"A presidenta recebeu uma ligação e uma carta, onde a SBM dizia que recebeu informação do Ministério Público holandês sobre os tais depósitos em contas na Suíça. De imediato, isso é uma prova avassaladora. É a própria empresa dizendo que tem essa informação [do pagamento de propina]", disse o diretor de Exploração e Produção, José Formigli.

Com base nessas informações, classificadas de "provas irrefutáveis de não conformidade", apesar do desempenho considerado excepcional da SBM  pela própria Graça Foster, as companhias não celebram mais contratos entre si. "Assim que soube, imediatamente, imediatamente mesmo, informamos à SBM que ela não participaria de nenhuma licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, nome de pessoas que estavam se deixando subornar", frisou. Os oito contratos que já estão em andamento, no entanto, não serão suspensos, esclareceu ela.

A Petrobras informou ter pedido à Justiça o depoimento do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e contratou escritórios independentes e estrangeiros de investigação. A diretoria frisou que tomará medidas para recuperar a imagem da companhia e o dinheiro supostamente desviado na Lava Jato, relatado em depoimento dos presos.
Um dos executivos investigados pela Polícia Federal confessou ao Ministério Público que havia um "clube" de empreiteiras para ganhar as licitações da petrolífera brasileira. Em depoimento, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, diretor da Toyo Setal, disse que pagou entre R$ 50 milhões e 60 milhões em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque.