Mulheres fazem BO contra Agamenon

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  • Feministas e dirigentes sindicais na porta da Delegacia das Mulheres

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O vereador Agamenon Sobral (PP) terá que se explicar na Polícia Civil por conta de seus pronunciamentos e ideias polêmicas. Durante todo o dia de ontem, vários boletins de ocorrência foram prestados contra o parlamentar, sobretudo por presidentes de sindicatos e representantes de movimentos organizados. A principal queixa foi registrada ontem à tarde no Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), onde compareceram várias representantes de movimentos de defesa dos direitos das mulheres.
A reação foi motivada por um pronunciamento feito semana passada na tribuna da Câmara Municipal de Aracaju (CMA), no qual Agamenon leu uma falsa noticia de que o padre de uma paróquia católica em Alagoas teria supostamente impedido a realização de um casamento porque a noiva estaria sem calcinha. Na ocasião, o vereador disse que a suposta noiva era "uma vagabunda" e merecedora de "uma surra" que seria dada pelo padre. "Devia dar uma surra e depois dar um banho de sal. Vagabunda!", bradou ele, durante o pronunciamento.
Para as representantes feministas, Agamenon cometeu incitação à prática de crime, delito previsto no artigo 286 do Código Penal, com o agravante de "abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica", previsto no artigo 61 do mesmo código. A pena prevista neste caso é de até seis meses de prisão, com pagamento de multa. Uma carta-denúncia neste sentido foi entregue pelas militantes à diretora do DAGV, delegada Thais Lemos Santiago, que pediu mais informações para decidir sobre a abertura ou não de um inquérito policial.
"Ela solicitou a adesão de mais alguns documentos, vai estudar o caso para tipificar o crime, e a partir daí ela deve abrir o inquérito, que é o que esperamos. Não podemos deixar na impunidade mais uma ação danosa de um representante que tem um lugar privilegiado para fazer esse tipo de coisa", disse a sindicalista Ivânia Pereira, representante do Conselho Nacional de Defesa da Mulher. Ela explica ainda que serão requisitadas gravações da sessão em que o pronunciamento aconteceu, além da lista de presença dos parlamentares e as reportagens que foram publicadas na imprensa sobre o assunto. O encontro das mulheres com a delegada não pode ser acompanhado pelos jornalistas e, ao final, ninguém do DAGV se manifestou.
As integrantes dos movimentos acreditam que o resultado da queixa será positivo e é uma resposta indignada das mulheres sergipanas à atitude do vereador pepista. "Nós já vivemos uma situação de violência há anos. Nós não podemos aceitar que um cidadão investido de poder de vereador, faça apologia, incentive e estimule a violência contra a mulher. Isso nos revolta e nos mobiliza para que esse vereador seja punido exemplarmente, assim como os agressores das mulheres sejam punidos", reivindica Ivânia.
Ainda segundo ela, outros representantes de sindicatos prestaram queixa por calúnia, injúria e difamação contra o parlamentar, alegando que foram ofendidos por ele durante toda a manhã de ontem, em várias entrevistas a emissoras de rádio. Em uma delas, o presidente do Sindicato dos Radialistas, Fernando Cabral, foi chamado de "preguiçoso" e "mamateiro". Em outra, o parlamentar disse que os médicos com médicos que têm mais de um vínculo na rede pública "são ladrões", o que pode gerar um processo do Sindicato dos Médicos.
Os movimentos anunciaram para a próxima quarta-feira, às 8h, um grande protesto contra Agamenon Sobral na porta da Câmara Municipal, onde será exigida que a Mesa Diretora da casa abra um processo para cassar o mandato do parlamentar. O assunto ganhou visibilidade depois que a vereadora Lucimara Passos (PCdoB) ergueu uma calcinha na tribuna para rebater o pronunciamento do adversário. Por meio da assessoria, Agamenon avisou que não vai comentar a queixa prestada contra ele na polícia.


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