Arco e flecha na Esplanada?

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Publicada em 18/12/2014 às 10:01:00

* Lelê Teles

Todos nós sabemos que o Governo Dilma fez muito pouco para garantir o direito dos povos da floresta.
A possível nomeação de Kátia Abreu tende a ser mais um passo pra trás.
É dar mais força àqueles que mandam e desmandam; matam e desmatam.
E mais, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que transfere a tarefa de demarcação de territórios indígenas e áreas quilombolas do Poder Executivo para o Congresso Nacional, defende a causa dos homens de bens.
A turma de Abreu.
Imagina se a demarcação das terras indígenas ficar à mercê do nosso legislativo, onde há uma forte bancada ruralista e nenhum índio. Sabemos todos onde isso vai dar.
A demarcação das terras indígenas é a garantia de que não assistiremos mais a invasão dos neo-bandeirantes, dos genocidas desenvolvimentistas, daqueles que veem o índio como um entrave contra a poluição, o desmatamento e o vasto plantio de monoculturas que sugam nossas águas e comprometem o nosso ecossistema.
Por isso, os povos da floresta estão em Brasília para tentar barrar esse disparate que é a PEC 215.
Eu tô com eles.
Dito isso, digo mais.
Toda vez que vejo índios em Brasília, empunhando arco e flecha, vejo que há muitos irresponsáveis por trás deste acinte.
E vejo ali uma tragédia anunciada.
A nossa constituição é clara quando permite que todo cidadão tenha o direito de se reunir e se manifestar, mas a Carta é explícita ao proibir o uso de armas durante manifestações; elas têm que ser pacíficas.
Estávamos aqui a dizer, durante o protesto coxinha na Paulista, que o filho de Bolsonaro, pistola na cinta, afrontava a constituição.
E o índio, não?
Arco e flecha, para os índios, são instrumentos de caça, mas também são armas de guerra.
Todos nós sabemos que em Brasília, na esplanada, não há capivaras, jacarés e nem porcos do mato; então por que as armas?
Guerra?
Ambientalistas e antropólogos acham que isso é correto? Estão à espera de uma tragédia?
Já vimos durante a Copa das Copas a manifestação de índios black bloc, a atirar contra as forças policiais.
Agora, às portas do Congresso, um policial é alvejado por uma seta.
Que diabo é isso?
Entendo e apoio a luta de nossos irmãos da floresta, mas ir ao congresso armado?
Hmmm, sei não, hein.
Palavra da salvação.

* Lelê Teles é jornalista e roteirista