Um conceito de qualidade

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Publicada em 18/12/2014 às 10:02:00

* Rômulo Rodrigues

No final dos anos setenta, quando ainda alimentava o sonho de ser Engenheiro Mecânico, guardei de um Professor de Materiais que é a obediência às especificações que definem se um produto tem mais ou menos qualidade. Um exemplo que era dado: Se uma Ferrari alcançar 98% de todas as suas especificações e se um Fusca obtiver 100% das suas, terá mais qualidade do que a Ferrari, mesmo que a Ferrari venha a alcançar valores de uso e de troca bem mais significativos.
 A semana que passou foi abalada nos meios políticos com as notícias da derrota de Sukita no TSE e a consequente permanência de Francisco Gualberto como Deputado estadual reeleito para exercer seu quarto mandato.
O perfil ideológico, o desempenho parlamentar, a contundência de posicionamento e a coerência na defesa e no ataque fazem de Gualberto um Político detentor de qualidades que obedecem 100% às especificações para as quais foi projetado.
Aliados, adversários principalmente, observadores das mais variadas tendências políticas concordando ou discordando de suas posições e de suas posturas reconhecem nele um parlamentar qualificado.
Gualberto na oposição ou na situação, quase sempre como líder dos seus Governos, nunca fugiu dos debates e sempre esteve atento e pronto para combater o bom combate.
Atrevo-me a dizer que se sua permanência na casa dependesse de uma votação de seus pares, é bem provável que obtivesse a unanimidade, só não acontecendo, com ele próprio votando contra para não acompanhar o voto de conhecidos desafetos do dia a dia do plenário.
Quanto a Sukita, acho difícil que traga para o parlamento uma contribuição tão valiosa quanto a de Gualberto.
A verdade é que meu conhecimento sobre ele é muito pouco.
Conheci-o pessoalmente em abril de 2006 numa reunião organizada por Zezinho da Everest para discutir apoios à candidatura de Deda a Governador, com as presenças de vários Prefeitos, onde ele se destacou pela arrogância.
Em maio deste ano compareceu no evento da caravana do PT, em Própria, quando fez um discurso eloquente e sincero.
A última vez que o encontrei e única que trocamos opiniões foi nos meados de setembro, na W.G, quando desabafava com Maurício Pimentel sobre as perseguições que sofria e aproveitou para pedir minha opinião sobre o que vinha acontecendo com ele.
Em principio, manifestei minha solidariedade e opinei que mesmo com todas as restrições impostas poderia obter uns 40 mil votos. Fui de pronto rechaçado e vi renascer o Sukita versão 2006 ao dizer que seria mais votado do que Adelson Barreto. Esperava 160 mil votos.
Como havia sido perguntado, usei de sinceridade e disse que não o achava uma má pessoa, mas que o mesmo cometia o erro de abrir várias frentes de lutas ao mesmo tempo e que isso tem um preço incalculável. A conversa acabou por aí.
O desfecho desse processo não pode ser o de um confronto entre Sukita e Gualberto. A briga dele é com a Justiça Eleitoral onde tenta criar uma Jurisprudência que é algo muito maior que seu tamanho político.
Em sua afoiteza, Sukita quer que a legislação eleitoral seja alterada para lhe garantir um mandato.
Já a confirmação da eleição de Francisco Gualberto é revestida de legitimidade, entre outros argumentos, por ter tido uma expressiva votação que junto com as de Ana Lúcia e João Daniel apontam para a real certeza de que uma Reforma Política, além de necessária, é possível.
* Rômulo Rodrigues é militante político