Hora de pagar o pato

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Publicada em 18/12/2014 às 10:02:00

Ônibus entupidos, caindo aos pedaços, conduzidos sem qualquer respeito pelos passageiros. É este serviço pelo qual os empresários reunidos no Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp) foram autorizados a enfiar a mão no bolso os trabalhadores da capital sergipana. Tudo com a bênção do prefeito João Alves Filho.
A conivência da Prefeitura com a ambição é dado público e notório. Ano passado, quando autorizaram a majoração da tarifa para R$ 2,45, os vereadores e o próprio prefeito tomaram partido e se colocaram ao lado dos donos do dinheiro publicamente. Após uma grande pressão popular provocada pelos questionamentos do Movimento Não Pago, que apontou diversas fraudes na planilha que serve de base para o reajuste da tarifa, o prefeito João Alves decidiu ir devagar com o andor e diminuiu o aumento para R$ 2,35. Infelizmente, o novo reajuste argumenta, o passo atrás não passou de jogo de cena.
Dessa vez, a própria prefeitura reconhece o artifício utilizado pelos empresários como fraudulento. Segundo a secretária Georlize Teles, os empresários chegam a ponto de incluir insumos não utilizados pelas empresas, a exemplo de câmaras de ar, para dar pasto às ambições de mais lucro.
Em 2013 a perspectiva de reajuste inicial era de 8%, mas diante das mobilizações a prefeitura decidiu ampliar a tarifa em 4,4%. Na época, a meta dos manifestantes era pressionar os gestores públicos e 'congelar' a traria anterior que custava R$ 2,25. A Prefeitura optou por um meio termo dos mais comprometidos. Agora, como já era esperado, divide a fatura gerada pela ousadia dos militantes do Não Pago com o resto da população. Resta saber se os movimentos sociais vão pagar o pato calados.