Deputados cobram dados da FHS em audiência da Saúde

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Publicada em 18/12/2014 às 10:03:00

A apresentação quadrimestral da Secretaria de Estado da Saúde (SES) na Assembleia Legislativa, realizada na Sala das Comissões, frustrou alguns parlamentares, a exemplo do deputado estadual e presidente da Comissão de Saúde, Gilson Andrade. Ele lamentou a falta de informações que considera importantes, como o percentual da dívida acumulada pelas fundações de Saúde desde que foram criadas.

Segundo os diretores de Planejamento da Secretaria de Saúde, Evandro Galdino, e Administrativo e Financeiro, Ary Tolentino, que apresentaram os dados em lugar da secretária Joélia Silva (em viagem a Brasília), a pasta possui um orçamento anual de R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 227 milhões são gastos apenas no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). O Samu recebe R$ R$ 41 milhões e o Hospital Regional de Lagarto R$ 29 milhões.
"Se gasta quase hum milhão de reais por mês com o Huse e a assistência é muito ruim", observou o presidente da Comissão de Saúde, Gilson Andrade, que se mostra preocupado com o atendimento que o Estado oferece aos pacientes portadores de câncer e com os usuários de drogas que precisam do serviço público para desintoxicação. "Pedimos providências e o governo não deu atenção. Prometeram colocar leitos no Hospital de Estância e ficou tudo no discurso".
Gilson Andrade disse que a rede hospitalar está despreparada para receber pacientes usuários de drogas e especialmente os que buscam atendimento psiquiátrico. "Se o paciente surta, a enfermeira ou médico vão chamar o Samu ou Corpo de Bombeiros, porque o paciente certamente vai quebrar tudo no hospital", lamentou. O deputado criticou também a demora em construir o Hospital do Câncer Marcelo Déda. "Um ano depois de anunciado estão com sessenta das obras de terraplanagem. Nesse ritmo passa a funcionar plenamente só em dois mil e vinte".
O deputado estadual Antônio dos Santos disse que escutou muita coisa bonita na prestação de contas, mas destacou que a realidade é bem diferente, a exemplo da atenção básica. "Cito o exemplo de uma paciente que amputou o membro de uma perna e sente dores. Eu penso em comprar o medicamento. Mas o regulamento do hospital não permite. Vivemos um período dramático para a saúde pública", comentou.

A situação em que se encontra a saúde do Estado também recebeu críticas da deputada estadual Goretti Reis, que foi secretária de Saúde do Município de Aracaju. "Como fui gestora da área sei que existem muitos gargalos, especialmente na assistência da área de Oncologia e dos dependentes químicos", observou a parlamentar, que defende a construção de um centro de desintoxicação para pacientes usuários de drogas. "Na Oncologia faltam medicamentos e também falta acesso ao serviço, como a radioterapia. Isso é constrangedor, faltam ações imediatas".

O deputado estadual Zezinho Guimarães disse que o governo vem propondo ações que vão melhorar o setor, como fusões de fundações, que passarão a ter comando único. Para ele, medidas como essa vão ajustar a prestação de serviço à população. Mas concorda com os colegas em alguns pontos. "Minha preocupação também é com a questão do usuário de drogas. Os municípios não têm capacidade para dar atenção a eles". O deputado José Franco disse que os parlamentares acabam se envolvendo com o problema e custeando o que deveria ser custeado pelo Estado. "Isso não é bom". Para ele, é preciso rever a gestão das fundações. "Sem isso não haverá solução".