Mais um muro que desaba

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Publicada em 24/12/2014 às 09:38:00

* Rômulo Rodrigues

Na última quinta feira, 18 de dezembro, foi derrubado o muro do 3º turno da eleição presidencial com a diplomação da Presidenta eleita Dilma Roussef e do Vice Presidente Michel Temer.
O circo armado em torno da análise das contas de campanha não foi suficiente para resistir ao clamor consciente da sociedade civil por respeito às regras democráticas e na última hora os golpistas tiveram que recuar e o placar de 7x0, no TSE, refletiu o que as vozes das ruas já estavam exigindo; transparência, lisura e enterro do golpismo.
Na mesma semana um fato político de grande relevância - desses que determinam uma conjuntura - mostrou o quanto eram falsas e alarmistas as agressões aecistas contra Dilm e o PT com acusações, durante a campanha, de quererem cubanizar o Brasil e implantarem o bolivarianismo.
Com as benções do Papa Francisco, Barak Obama estendeu a mão ao Presidente Raul Castro e Cuba e EUA reataram as relações diplomáticas depois de 53 anos.
Para desmascarar a avalanche de notícias pessimistas contra o Brasil o noticiário internacional se encarregou de espalhar que o Porto de Muriel é estratégico para as exportações para os Estados Unidos e uma plataforma de escoamento de produtos brasileiros para o mundo, principalmente para o próprio EUA e para o Caribe.
As mentiras da campanha eram que o Brasil tinha tirado dinheiro da Saúde e da Educação para financiar a ditadura cubana, quando os dados de agora, noticiados para não contrariar o patrão do império, deixam claro que o Porto custou 957 milhões de Dólares de investimentos, que desse total o BNDES financiou 682 milhões para empresas brasileiras construírem a obra e que 802 milhões de Dólares foram gastos em compras de bens e serviços aqui no País. Ou seja, entrou a mais do que saiu 120 milhões de Dólares.
Outra revelação que veio a público é que já existem 300 empresas brasileiras instaladas e trabalhando em Cuba.  
Outros pedaços de paredes que despencam com a queda do muro dizem respeito a várias mentiras repetidas como verdades durante a campanha, principalmente as apuradas pelo manchetômetro como, por exemplo, que o povo brasileiro estava mais pobre, e agora vem a ONU e diz que no governo Dilma a pobreza no Brasil diminuiu 66%.
Uma outra mentira alarmista dizia respeito a expectativa de vida do brasileiro e mais uma vez essa tal de ONU bolivariana e cubanizada noticia que em 2000, governo de FHC, a expectativa de vida do brasileiro, ao nascer, era de 70,4 anos e a taxa de mortalidade infantil era de 30,1 por mil.
Em 2013, governo Dilma, a expectativa de vida do brasileiro, ao nascer, é de 74,9 anos, e a taxa de mortalidade infantil é de 15 por mil.
Para fazer frente a números inquestionáveis, O globo retoma com força total suas investidas entreguistas e escancara toda a intenção do circo armado em torno da operação lava Jato: entregar o pré-sal para a Shell, BP, Chevron e Exxon.
Está muito claro que o segundo mandato de Dilma ainda será de um governo em disputa e ela vai ter que assumir desafios ainda maiores. Porém, a montagem do governo reflete concessões perigosas com muitas semelhanças com as que fizeram Getúlio Vargas e João Goulart, cujos preços foram muito altos.
Getúlio cedeu ao empresariado paulista e ao adhemarismo colocando Horácio lafer na Fazenda e Ricardo Jafer no Banco do Brasil e o usineiro pernambucano João Cleofas, udenista, na Agricultura e Jango nomeou o conservador paulista Carvalho Pinto para a fazenda e tentou adotar o tripé tecnicista: 1) ajuste das contas públicas; 2) metas da inflação e 3) monitoramento do câmbio.
Para todos dois, as saídas pelo conservadorismo, foram desastrosas.

* Rômulo Rodrigues é militante político