Aumento de ônibus

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Publicada em 24/12/2014 às 09:39:00

Os militantes do Movimento Não Pago não perderam tempo com a definição de uma estratégia para reverter o abuso dos empresários reunidos no Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp). Se a Justiça fechar os olhos, cega para a exploração descabida de estudantes e trabalhadores, os movimentos sociais vão ter de apelar para a boa e velha mobilização popular.
 Os primeiros atos realizados após a sanção do aumento da tarifa de ônibus, reajustada em exagerados 14%, demonstram ciência das verdadeiras armas ao dispor do movimento. Além da necessária representação judicial, nada será conquistado sem muita disposição para tomar as ruas.
 Os estudantes e trabalhadores que ameaçavam a subversão da ordem não têm mesmo muitos motivos para confiar na Justiça sergipana. Ano passado, apesar de irregularidades flagrantes, devidamente apontadas na planilha de custos apresentada pelo Setransp para requerer o reajuste anual da tarifa, o prefeito João Alves Filho só voltou atrás na decisão de abençoar a ambição dos empresários do setor, como de praxe, em função do desgaste político gerado pelo confronto com estudantes e trabalhadores. Pegou mal e o prefeito voltou atrás. Uma recuada estratégica. O reajuste de 14% autorizado agora, muito acima da inflação, recompensa os empresários pela paciência.
 Quem depende do transporte público, maior vítima dos problemas de mobilidade verificados na capital, não sabe se ri ou se chora com a lembrança das promessas realizadas pelo prefeito João Alves Filho durante a campanha que lhe rendeu a gerência do executivo municipal. Até agora, a única alteração no serviço prestado pelas empresas de ônibus, por exemplo, foi o preço da passagem. Regular e coerente. Ano que vem aumenta de novo.