Ano Novo para suplantar o Velho

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Publicada em 31/12/2014 às 09:47:00

* Rômulo Rodrigues

O ano de 2014, desde o seu início, dava sinais de que a turbulência política ia ser das maiores, como de fato foi, cujo retrato na parede, atesta a virulência da derrotada burguesia e seus eternos aliados.
Todos os horizontes políticos apontavam para uma realidade inaceitável para os barões da imprensa e os paulistas quatrocentões, que ainda vêem o País como uma extensão de suas fazendas de café, desde 1950, São Paulo não tinha um candidato competitivo para disputar a Presidência e o que era pior, o campo das esquerdas ensaiava com a participação de várias candidaturas, entre elas, a mais competitiva.

Tendo como referências os métodos e táticas utilizados para derrubarem os Governos Vargas e Jango, cometeram o erro de não enxergarem que, se os cenários da política guardavam algumas semelhanças, os palcos das lutas políticas e de classes, eram muito diferentes.
O epicentro da crise que envolveu o Governo do presidente João Goulart se deu quando a efervescência da luta de classes se impôs sobre a luta política e superou o domínio do sistema partidário que se mostrou incapaz de compreender e dar respostas que contemplassem as demandas da correlação de forças que existiam, naquele momento, e nas forças pulsantes da sociedade, e nem de reproduzir com clareza, as diversas tendências ideológicas.

O PTB e o PSD, principais aliados táticos do governo, a UDN, principal partido de oposição, e mais uma dezena de partidos pequenos que disputaram as eleições de 1962 já não representavam a diversidade ideológica que compunha a realidade social do País.
O mais grave daquele momento é que todos esses segmentos estavam muito divididos e não possuíam capacidades organizativas para mobilizarem as massas e suas ações e posicionamentos partidários não atendiam as demandas dos movimentos sociais e reivindicativos.
Se o golpe em Jango só se deu dois anos após as eleições parlamentares, o golpe contra Dilma foi meticulosamente planejado para se dar dentro das eleições gerais de 2014, com outros elementos que não estavam bem presentes naquela ocasião.

Mesmo com a Oposição tradicional tentando resgatar algumas táticas do passado como a incorporação do udenismo pelo PSDB, o sistema partidário de hoje é muito mais consistente que daquela época e os movimentos sociais estão bem mais organizados.
Porém, o que os cientistas e analistas políticos da velha direitona não chegaram a imaginar é que todo o protagonismo do mais forte Partido de Oposição, o da Justiça, ficaria concentrado na seccional da Justiça Federal do Paraná que assumiu o comando total do processo de engajamento político através do Juiz Sergio Moro, cuja esposa trabalha no gabinete do vice governador do estado, do PSDB, e que este suplantaria em evidência midiática o Capitão do Mato e o ultra direitista inimigo número um de Dilma, amigo do Banqueiro Daniel Dantas, sem contar que, ainda fez da seccional da Polícia federal do Paraná um Comitê do seu candidato a Presidente da República.

O novo Governo Dilma ainda trás no seu bojo, muitas das mazelas que impregnam o escopo da política brasileira, mas a sua montagem aponta para o enfrentamento de um dos maiores obstáculos ao aperfeiçoamento da Democracia no Brasil e a nomeação de Berzoini para o Ministério das Comunicações deve merecer da Esquerda Brasileira uma atenção nunca dada a cargo do primeiríssimo escalão.
A velha direita, que não ganha eleição pelo voto, tentará de tudo para instalar uma Plutocracia fincada no Tripé: Partido da Justiça, Partido dos Banqueiros e Partido Midiático.
A Famiglia Marinho, com toda sua falta de escrúpulo, escalou um velho Ator, de 81 anos, que nunca se pronunciou politicamente, para ser seu porta-voz de ocasião para mandar recados para Dilma.
A resposta do momento tem que ser essa: Lei de Médios Já.
* Rômulo Rodrigues é militante político