Tem que ser pra valer

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Publicada em 07/01/2015 às 00:32:00

Cobrar ações em benefício do coletivo sempre foi característica do político Jackson Barreto. Foi assim enquanto prefeito de Aracaju por duas vezes, nas diversas participações em parlamentos municipal, estadual e federal, nas variadas instâncias em que atua como homem público no decorrer de sua vida. Portanto, não seria agora que o caldo entornaria para o lado contrário.

Ao dar posse à maioria dos secretários de Estado na manhã de ontem, em solenidade ocorrida no Palácio dos Despachos, Jackson buscou enquadrar cada um deles na sua filosofia de trabalho no serviço público. Falou sobre a difícil situação econômica do Estado e foi direto ao assunto. "Precisamos da seriedade e honestidade com a preservação dos recursos públicos", disse, sob o olhar atento dos secretários que bem o conhecem.

No seu inconfundível estilo 'sem papas na língua', Jackson Barreto não hesitou em falar aos presentes à solenidade festiva: "Saberei cobrar o trabalho, a eficiência, a competência, o compromisso social. Não podemos manchar a história desses oito anos que ao lado de Marcelo Déda, governamos o estado. Não temos aqui secretários exclusivos, mas secretários para ajudar o governador a desempenhar uma missão que atenda aos interesses de 2,2 milhões de sergipanos".

Pronto. Recado dado. Todavia, ouvidos atentos ou não, resta-nos saber até onde vai a peça de ficção política e a realidade vivida cotidianamente por esses 2,2 milhões de sergipanos citados. Sabe-se que pelo menos os mais de 60 mil servidores públicos estaduais, ativos e inativos, até agora não engoliram muito a história que envolve a propalada "eficiência, competência e compromisso social" do governo Jackson.
No cenário atual, cobrar arrocho dos secretários parece fácil. Difícil será dar praticidade a esse discurso. Tanto os milhões de sergipanos desprovidos de benesses quanto os milhares de servidores resignados têm altas contas a cobrar do governo. Portanto, não bastam discursos. O estilo Jackson Barreto requer muito mais que isso. Estarão os senhores secretários empossados ontem preparados a tal missão? A ver.

Eleito governador com indiscutível margem de confiança popular, Jackson não pode falhar um só instante nessa jornada. Em Sergipe, o serviço público amplo e de qualidade grita por socorro. E todos eles, creio, sabem disso. "Não podemos gastar acima das nossas condições sob pena que se assim fizer, cada um vai ter que responder pelos seus atos. Quero de cada um dos senhores lealdade à pessoa do governador e ao povo sergipano", reforçou Jackson Barreto.

Só relembrando: à exceção de Jorge Carvalho (Educação), que estava em Brasília para compromissos oficiais, ouviram atentamente as cobranças de Jackson os seguintes secretários empossados: Belivaldo Casa (vice-governador, Casa Civil), Jefferson Passos (Fazenda), João Augusto Gama (Planejamento, Orçamento e Gestão), Mendonça Prado (Segurança Pública), Valmor Barbosa (Infraestrutura), Benedito Figueiredo (Governo), Adilson Junior (Turismo), Sales Neto (Comunicação), Esmeraldo Leal (Agricultura), Antônio Hora (Justiça), Arthur Borba (Controladoria Geral do Estado) e Adinelson Alves (Procuradoria Geral do Estado). José Macedo Sobral, secretário de Saúde, já havia sido empossado um dia antes, mas acolheu também todos os recados.

Até sexta
Crescem as expectativas para o anúncio dos secretários que faltam para compor o governo no primeiro escalão. São apenas três pastas, Sedetec, Cultura e Inclusão Social, mas estão dando uma dor de cabeça enorme ao governador. Na solenidade de ontem, Jackson Barreto prometeu aos jornalistas anunciar esses nomes até a sexta-feira, 9. Mas os entendimentos com os lideres partidários continuam, pois tanto o PT quanto o PMDB e o PRB permanecem de olho nas pastas. "Estamos atentos aos nossos compromissos, trabalhando, buscando inspiração na sabedoria de Salomão para completar o quadro", apontou Jackson.
 
2º escalão
Muita gente está querendo saber também sobre as indicações do segundo escalão do governo. Nesse ponto, Jackson Barreto não demonstrou agonia alguma para apontar os nomes. Limita-se a dizer que o quadro de auxiliares será composto de acordo com a qualificação dos escolhidos e com as necessidades do Estado. Algo muito vago. Por enquanto, confirmado mesmo, somente Carlos Melo na presidência da Deso, substituindo o competente Sérgio Ferrari.
 
André e Cunha
Está ganhando notoriedade nacional o deputado federal sergipano André Moura (PSC). Nas últimas semanas ele vem acompanhando passo a passo a jornada do principal candidato à presidência da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), em sua peregrinação pelos estados brasileiros. Durante esta semana, estarão pelo Nordeste. Ontem, André e Eduardo passaram por Pernambuco e se reuniram com o governador Paulo Câmara e vários deputados eleitos. Hoje a comitiva de Eduardo Cunha estará na região Norte, começando a visita por Rio Branco, capital do Acre. Provavelmente na próxima semana passará por Aracaju.
 
Novos PM's
Com a efetiva entrada em ação dos quase 600 policias militares de Sergipe, muito se espera em termos de redução da criminalidade. Claro que o número de PM's ainda não é o ideal no estado, pois o déficit gira em torno de 1,5 mil agentes. Com os novos, formados ontem à noite, Sergipe conta agora com 5.081 homens e mulheres na corporação. Muitos estão em gabinetes com ar condicionado e outros desviados de função. Por isso a urgência em absorver mais gente aprovada no último concurso da PM, o que vem sendo prometido pelo governo.
 
Souza em documentário
Em breve o Sindicato dos Bancários estará lançando um documentário em vídeo sobre a história do sindicalista José Souza, presidente da entidade falecido no exercício da função em outubro do ano passado. Vários representantes de sindicatos classistas gravaram depoimentos sobre a vida, a carreira política e principalmente sobre a luta sindical, paixão maior de Souza. Será uma homenagem justa à memória do grande defensor das causas trabalhistas.
 
À espera da gritaria
Por enquanto, nada definido sobre a ida de Angélica Guimarães ao Tribunal de Contas para assumir o cargo de conselheira. Envolvida em escândalos administrativos que geraram e irão gerar ações judiciais, Angélica ainda não se desligou da presidência da Assembleia Legislativa. Diversos sindicatos e entidades da sociedade civil estão de olho na publicação do ato de posse de Angélica no TCE para organizar um estrondoso protesto. É só aguardar.
 
Aguardando
a Justiça
Por ter desrespeitado o Regimento Interno da Assembleia Legislativa, segundo avaliação do Sintese, os professores estaduais pediram na Justiça a anulação da sessão que extinguiu o adicional do terço nos salários dos servidores que se aposentam. A referida sessão ocorreu no dia 22 de dezembro do ano passado, mas somente com o fim do recesso judicial é que o pedido dos professores será analisado. Em tempo: o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, mas foi reprovado na Comissão de Administração e Serviço público, o relatório favorável à extinção do terço foi rejeitado por 5 a 4. Mesmo assim, o projeto acabou sendo votado e aprovado em plenário.
 
Foto oficial
Uma curiosidade: Jackson Barreto ainda não providenciou fazer a foto oficial do seu governo. Nas paredes dos palácios governamentais e das diversas secretarias, continua reinando a foto de Marcelo Déda.
 
Dragãozinho
em campo
Para os amantes do futebol, hoje à noite tem o Confiança Sub-20 em campo contra o time do Grêmio de Porto Alegre. É a segunda partida do Dragãozinho na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na primeira partida, domingo, o Confiança bateu o América Paulista (SP), em São José do Rio Preto, com um sonoro 3 a 0. Agora os sergipanos irão pra cima dos gaúchos.

Piso dos professores
Está confirmado. Como o Jornal do Dia publicou ontem o piso salarial do magistério terá aumento de 13,01%, passando a valer desde já R$ 1.917,78. Segundo o Ministério da Educação (MEC), o cálculo de reajuste está previsto na Lei do Piso (Lei 11.738/2008), que vincula o aumento ao percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno, referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano. O novo valor é relativo ao salário inicial dos professores de escola pública, com formação de nível médio e jornada de trabalho de 40 horas semanais. Resta saber agora quantos governantes de Sergipe e do Brasil irão cumprir a lei e valorizar, de fato, a educação pública.