Não precisa fazer pesquisa

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Publicada em 08/01/2015 às 09:38:00

* Rômulo Rodrigues

O Partido dos Trabalhadores terminou o ano de 2014 com a decisão tomada de fazer uma pesquisa sobre o por que de ver prosperar forte  antipetismo em segmentos da população cuja expressão maior se deu no processo eleitoral.
Como sou avesso à aplicação de pesquisa como solução para entender sintomas que já foram previstos anteriormente, vou tentar resgatar fatos antigos para justificar minha cisma sobre gastar recursos para descobrir o óbvio.
Bem iniciou o ano de 1988, foi divulgado um documento escrito por significativas lideranças nacionais da Central Única dos Trabalhadores, entre as quais, este escriba, intitulado: " Uma Política Suicida".
O documento condenava a estratégia adotada pela Direção Executiva Nacional do PT de subordinar sua bancada no Congresso Nacional de concentrar os esforços na luta no Parlamento, deixando de lado, ou até esvaziando, as frentes de lutas que a classe trabalhadora mantinha nas ruas e nos locais de trabalho.
A consequência ruim foi que, com a desmobilização, o deputado Constituinte Roberto Cardozo Alves, O Robertão, do PMDB de São Paulo, articulou o Centrão, atropelou as votações e aprovou a Costituição ao gosto da Direita e o Dr. Ulisses teve que arranjar um discurso de Constituição Cidadã, para salvar alguns anéis.

Resultado: O PT virou refém do parlamento e levou junto um acúmulo enorme das lutas da classe trabalhadora.
De lá para cá, o Partido continuou e até ampliou essa dependência ao construir instâncias paralelas, com muito mais poder de decisão, do que suas instancias eleitas nos fóruns como, Executivas e Diretórios, ao tomar suas decisões pautadas nos jogos de cena do 'Parlamento Burguês' e trazer para homologar nas instâncias eleitas em disputas democráticas, que deveriam ser organizativas e educativas.
Se parasse por aí, tudo bem, o passo seguinte foi se subordinar aos ditames da Imprensa familiar e ajudar a robustecer o ódio jornalismo, cuja pauta dos últimos doze anos é atacar, atacar e atacar o PT, seus governos e suas principais lideranças, por um motivo bem óbvio, o PT é um partido que se propõe a colocar representantes da classe trabalhadores nos lugares reservados para os filhos da Casa Grande. É fácil entender, ou quer que desenhe?
Já na posse de Dilma, o ex-porta-voz da ditadura e agora da Famíglia Marinho, sentenciou que quem ia governar era o Deus Mercado, na figura do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e que o PT com apenas 70 Deputados Federais, tinha perdido muita força.
De novo, subordinar toda força do Partido ao palco de operações da burguesia.
Na primeira oportunidade em que um Ministro, o do Planejamento, quis agradar o Mercado, no caso do Salário Mínimo, a Presidenta deu um cala a boca e tudo voltou ao normal.
Aqui em Sergipe, o PT seguiu a mesma receita e foi se afastando das bases organizadas, substituindo-as, por bases comissionadas e saiu de uma situação avançada de ter conquistado a Prefeitura de Aracaju, na aliança mais à esquerda possível, o Governo do Estado numa aliança de centro-esquerda, e foi se subordinando a alianças de centro para ampliar espaços de poder, para 14 anos depois, ter seus espaços amplamente reduzidos, sem Prefeitura da Capital e sem Governo do Estado.
Como a Roda da História, só roda pra frente, a direção do PT de Sergipe está colocando em prática a forma de dirigibilidade que a levou à vitória no PED e que responde à expectativa da militância que ansiava por mudanças na condução do Partido.
Sob a liderança democrática e participativa do presidente Rogério Carvalho, participar do novo Governo de Jackson Barreto, o Partido apresenta a maior renovação do primeiro escalão com as indicações de Esmeraldo Leal na Secretaria de Agricultura e Olivier Chagas no Meio Ambiente.
O feito inusitado é que, um representante do maior movimento social do Estado, com o compromisso de mudar a concepção de mediar conflitos para desenvolver a Agroecologia, o Agro desenvolvimento e a Agricultura Familiar, com alimentos sem veneno, para o povo viver mais; o outro, representante de uma estratégica região do interior para dar continuidade a uma boa gestão no Meio Ambiente, buscando consolidar a resultante entre o Direito à Natureza e o Desejo de Expansão do Ser Humano.

* Rômulo Rodrigues é militante político