2015 começa com 23 assaltos a ônibus em Aracaju

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Publicada em 08/01/2015 às 09:40:00

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Os assaltos contra ônibus do transporte coletivo da Grande Aracaju voltaram a ser motivo de grande preocupação para motoristas, cobradores e usuários. Somente na noite de terça-feira, cinco novos casos foram registrados pela Delegacia Plantonista, sendo quatro em veículos de linha e um ocorrido dentro do Terminal de Integração Leonel Brizola, o "Brizolão", no Capucho (zona oeste), ao lado do Terminal Rodoviário José Rollemberg Leite. Com isso, já são 23 assaltos ocorridos só na primeira semana de 2015 em Aracaju e região metropolitana. Os dados são do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Município de Aracaju (Sinttra).
O roubo no "Brizolão" aconteceu por volta das 21h, quando dois homens morenos e magros, montados em uma bicicleta, entraram pela via de acesso dos ônibus e foram direto à guarita. Em seguida, sacaram um revólver e renderam um cobrador da Viação Progresso que trabalhava na guarita. Em poucos segundos, a dupla fugiu, levando R$ 259,20 em dinheiro, equivalente à renda do dia. Testemunhas afirmam que os bandidos agiram tranquilamente, pois não havia a presença de policiais militares ou guardas municipais no terminal.

Um pouco antes, às 20h, um casal foi roubado dentro de um coletivo na Avenida Maranhão, bairro José Conrado de Araújo (zona oeste), em frente ao Parque de Exposições João Cleophas. Segundo as vítimas, quatro bandidos armados com facas que haviam embarcado em um ponto anterior anunciaram o assalto e fizeram um arrastão dentro do veículo, levando bolsas, carteiras, celulares, dinheiro, documentos, cartões bancários e até a farda de uma pizzaria.
Outros dois assaltos aconteceram por volta das 23h. Na Avenida Ivo do Prado, Centro, um passageiro embarcou em um ônibus da linha DIA/Centro, se recusou a passar pela catraca e ameaçou o cobrador com uma faca, obrigando-o a entregar a renda do dia, R$ 50 em dinheiro e moedas. Ao fugir, o marginal ainda ameaçou esfaquear o motorista. Já na Avenida Osvaldo Aranha, bairro José Conrado (zona oeste), três homens e uma mulher embarcaram no veículo da linha Tijuquinha/Osvaldo Aranha, onde também fizeram um arrastão e ameaçaram os passageiros com facas e um revólver. Além dos pertences de passageiros, foram roubados R$ 123 e os celulares do motorista e do cobrador.

Pelo menos um dos crimes terminou bem para as vítimas - e mal para os bandidos. Em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), por volta das 20h30, seis adolescentes entraram no Terminal de Integração do Conjunto Marcos Freire II, embarcaram em um ônibus da linha Fernando Collor/Atalaia e anunciaram o assalto ao chegar no Conjunto Fernando Collor, onde roubaram R$ 600 da renda do dia. A Polícia Militar foi avisada e conseguiu prender quatro dos ladroes no centro de Aracaju. Na Delegacia Plantonista, eles foram reconhecidos como autores do roubo. Com eles, a PM também apreendeu parte do dinheiro roubado, um revólver e uma faca usadas no assalto. Os outros dois menores ainda estão sendo procurados.

Recordes - Os motoristas e cobradores avaliam que 2015 começou mal quanto aos assaltos e voltam a temer o aumento dos crimes, o que também foi sentido em 2014. Ao longo do ano passado, 946 assaltos a ônibus foram registrados na capital e Grande Aracaju, bem acima dos 800 crimes contados pelo Sinttra em 2013. O temor é que se repita a marca de 2008, quando quase 1.300 assaltos a ônibus foram registrados.
Para o presidente do Sinttra, Miguel Belarmino, a média é considerada muito alta e pode se explicar por uma possível falta de abordagens efetivas da polícia nas ruas - estratégia que deu certo entre 2009 e 2012, quando operações específicas da PM e da Polícia Civil foram registradas. "Eu não sei o que está acontecendo, e desconfio que estas abordagens da polícia não estão sendo feitas. É um absurdo a gente ter essa m´pedia muito alta de 18 assaltos em cinco dias", disse Belarmino.
O sindicalista diz também que a maioria dos assaltos está envolvendo a participação de adolescentes, que muitas vezes não hesitam em roubar os passageiros e agredir os motoristas e cobradores com muita violência. Em um dos casos, ocorridos no último final de semana, um motorista da linha Marcos Freire/DIA quase foi esfaqueado por um ladrão que estava armado de facão. Para Miguel, as empresas de transporte não têm colaborado para minimizar os assaltos, nem para assistir aos profissionais vítimas da violência. "Algumas empresas colaboram e tiram o motorista ou cobrador da linha quando ela é assaltada. Mas tem outras que persistem em deixar o camarada na mesma linha. Desse jeito, não tem como o motorista ou cobrador não ir trabalhar com medo", reclama.