Homossexualidade e Tempo Presente: alguns apontamentos para reflexões

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Publicada em 13/01/2015 às 10:07:00

* Cassiano Celestino de Jesus

No tempo presente a sexualidade tem sido um campo de conhecimento exaustivamente discutido, várias são as instituições que se dispuseram a estudá-la e acabaram apresentando seus discursos sobre ela. Discursos estes que ditaram as formas como os indivíduos deveriam se comportar, agir e vivenciar a sua sexualidade. Falas que acabaram definindo modelos padrões de como expressá-la, normas que foram enraizadas em nossa sociedade, e que acabaram contribuindo para que todos aqueles que se desviem destes arquétipos estabelecidos fossem considerados como o diferente, que deve ser inferiorizado, sofrendo diversos tipos de preconceitos e discriminações.  

Neste sentido, a heterossexualidade passou a ser considerada a única forma aceitável e correta expressão da sexualidade, ela acabou sendo determinada como o único modelo padrão a ser seguido. Todas as outras formas de vivenciá-la passaram a ser consideradas como desviantes da norma estabelecida. Tal mecanismo de categorização pôde ser verificado em meados do século XIX, quando foi cunhado o termo 'homossexualismo'. Assim, os homossexuais seriam aqueles relacionados a uma sexualidade estranha e anormal, antagônica ao regime heterossexual burguês.

Concepções reducionistas e equivocadas sobre homossexualidade acabaram sendo enraizadas em nossa cultura, por muito tempo pensou-se que ela era algo anormal, desviante e uma doença. Tais concepções acabaram enaltecendo diversas formas de preconceitos e discriminações sobre tal orientação sexual.
Doravante, percebe-se que dentre as identidades sexuais que perpassam a contemporaneidade, sobressai-se a homossexualidade, ainda que de forma estereotipada. Tal identidade precisa ser (re)conhecida, seja através de informações sobre os temas que a rodeiam, ou  pela desconstrução dos preconceitos que culminam em diversas formas de violência.
No entanto, para tal tarefa se faz necessário desconstruir certas visões equivocadas sobre a homossexualidade, a fim de contribuir para o fim das diversas práticas homofóbicas contra os indivíduos que se declaram contrários ao padrão heteronormativo.
Vale ressaltar que essa reflexão não tem como intenção julgar ou culpabilizar as pessoas que assim pensam, mas sim expor tal problemática e assim pensar em efetivar ações que busquem romper com a violência e os preconceitos que são faces da homofobia.

Pode-se começar pela educação, os docentes podem e precisam buscar conhecimentos acerca da homossexualidade na formação continuada, visto que muitos sentem-se despreparados em abordar tal temática em sala de aula devido a carência/ausência nos cursos de licenciaturas sobre os assuntos que envolvem a diversidade sexual. E só assim poderão desempenhar seu papel no combate a homofobia e práticas discriminatórias.  Os educadores podem adotar medidas didáticas para abordar, e acolher a diversidade sexual nas escolas, combater a homofobia e contribuir com a desconstrução de preconceitos e estereótipos em torno da homossexualidade.
Portanto, há a necessidade urgente de cursos de formação continuada de professores para a orientação sexual nas escolas. Esta tarefa requer formadores e formandos motivados, livres de preconceitos e com um firme desejo de auxiliar indivíduos a compreenderem que a sexualidade e todos os aspectos a ela relacionados são indicadores de todo um equilíbrio que o organismo busca.
* Cassiano Celestino de Jesus e graduando em História pela UFS, integrante do Grupo de Pesquisa Diáspora Atlântica dos Sefarditas (GPDAS/CNPq).  Bolsista PET História (MEC/FNDE)
Email: cassiano162@live.com