Bendito o que vem em nome do Senhor! - Sl 118 (117), 26

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Publicada em 13/01/2015 às 10:07:00

* Raymundo Mello

O Arcebispo titular da Arquidiocese de Aracaju, Dom José Palmeira Lessa, a 4 de janeiro de 2015, solenemente, em Missa campal, recebeu e apresentou a todo povo de Deus, o Arcebispo Coadjutor designado pelo papa Francisco para a igreja particular de Aracaju, Dom João José Costa, sergipano, natural de Lagarto, da Ordem Carmelita, ex-Bispo titular de Iguatu, no Ceará.

A nobreza da acolhida a seu coadjutor com direito à sucessão, representa um marco na vida da igreja local, experimentada e vivida por Dom Palmeira Lessa que vem desenvolvendo com grande apoio e solidariedade um trabalho digno de registro em toda a Arquidiocese. O Seminário Arquidiocesano e regional tem formado sacerdotes em bom número, capacitando-os para servir à Igreja Católica em Sergipe, no Brasil e no mundo, como idealiza o Cristianismo. A criação de tantas novas Paróquias com a imediata nomeação de sacerdotes em suas várias funções, dentro do que determina o Canon Romano, é um testemunho eloquente da seriedade e objetividade de seu bispo, que ainda abre espaços para as várias Congregações Religiosas aqui acolhidas e com grande trabalho religioso e social.
Uma dessas congregações, a Ordem Carmelita, é a casa mãe-igreja do Arcebispo Coadjutor, Dom João José Costa, que tem em seu currículo o fato de ter sido um dos seus eficientes provinciais, antes de ter sido titulado para o bispado.
Tudo isso assegura grande tranqüilidade na transmissão do Arcebispado, tudo, aliás, como esclarecido por Dom Lessa, que tem ainda dois anos de mandato, a seu critério, e um coadjutor tranqüilo, responsável, qualificando-se a cada dia para tão elevadas funções.

De parabéns a igreja local e toda a Província Eclesiástica, que continuará unida em Jesus Cristo, com um trabalho particular, porém uníssono nessa Igreja de Jesus Cristo, de Maria santíssima e do Papa.
Sergipe católico, nos últimos 50 anos tem elevado ao Bispado um bom número de sacerdotes. Lembro: Dom Luciano José Cabral Duarte (único a ser eleito Bispo Auxiliar e Arcebispo da Igreja, em sua terra natal, até agora), Dom Marco Eugênio Galrão leite de Almeida, Bispo de Estância, hoje encardinado na Arquidiocese de São Salvador (BA), Dom Dulcênio Fontes de Matos, Bispo Auxiliar de Aracaju e hoje Bispo titular de Palmeira dos Índios (AL), Dom Carlos Alberto, Bispo titular de Teixeira de Freitas (BA). Não me ocorrem outros nomes de membros do episcopado brasileiro nascidos em Sergipe, mas acredito que possa haver.
Com os que citei (sergipanos), registro ter tido relacionamento com cada um, especialmente quando seminaristas e presbíteros. Neste artigo não estou registrando os vários bispos auxiliares (pelo menos quatro) e sacerdotes eleitos bispos, enquanto exerciam o ministério sacerdotal em nosso estado e ainda estão na ativa e "que Deus os conserve".

Mas, para quem gosta de registrar fatos de memória, na expectativa que o citado fato seja elevado a pesquisa por quem de direito (teses de doutorados ou biografias), registro duas figuras de grande importância no clero católico com atividades no Brasil e no mundo.
1.º) Dom Mário de Miranda Vilas Boas. Sacerdote na Diocese de Aracaju, foi eleito Bispo da Diocese de Garanhuns (PE), sagrado na Catedral e tomou posse em sua sede em 30/10/1938. Em 10/09/1944 foi transferido para a Arquidiocese de Belém (PA) e tomou posse em 05/01/1945. Em Belém exerceu as funções de Bispo por 15 anos, granjeando o respeito e o carinho dos paraenses.
Em 23/10/1956 foi nomeado pela Santa Sé, Arcebispo Coadjutor com direito à sucessão da Arquidiocese de São Salvador (BA), onde permaneceu por apenas 3 anos, sendo transferido para a Arquidiocese de João Pessoa (PB), pelo Papa João XXIII. Em 18 de maio de 1965 (seis anos depois) renunciou às funções, voltando a residir em Aracaju, onde faleceu a 23 de fevereiro de 1968, aos 64 anos.
Muito querido pelos paraenses, onde exerceu por 15 anos as funções de Arcebispo de Belém (PA), a pedido da Igreja do Pará, teve seus restos mortais transladados e sepultados na Catedral Arquidiocesana.
Dizem (vox populi vox Dei) que ao apresentar-se ao Cardeal da Silva, em Salvador, para tomar posse, daquela autoridade ouviu a seguinte sentença, após a leitura do documento papal: "Arcebispo, sim. Coadjutor, sim. Com direito à sucessão, veremos". Não houve a sucessão!
2.ª) Dom Avelar Brandão Vilela. Sacerdote na Diocese de Aracaju, aos 33 anos, nomeado para a Diocese de Petrolina (PE) pelo Papa Pio XII, foi sagrado em Aracaju por Dom José Tomaz Gomes da Silva e Dom Mário de Miranda Vilas Boas. Em Petrolina permaneceu por 9 anos, sendo transferido para a Arquidiocese de Teresina (PI), onde foi empossado em 05/11/1955.
Como Arcebispo de Teresina trabalhou por 16 anos, com grandes atividades pastorais e, em 25 de março de 1971, foi transferido para Salvador (BA), onde ocupou as funções de Arcebispo Primaz do Brasil. Em 05/03/1973 foi elevado a Cardeal, pelo Papa Paulo VI.
Por duas vezes participou de Conclaves, quando foi eleito o Papa João Paulo (Papa Sorriso) e, 40 dias após, o Papa João Paulo II.
Faleceu em 19 de dezembro de 1986 e está sepultado na catedral Basílica de Salvador.
Foi autor do Hino do 1.º Congresso Eucarístico Diocesano, realizado em Sergipe com repercussão nacional, brindando os congressistas com esses versos:

"Oh! pequeno Sergipe D'el Rei
vossa glória maior celebrai.
Corações para o alto dizei
Cristo vence, e de pé proclamai".

Diz a vox populi que o seminarista Avelar, estudante na Paraíba, era um tanto vaidoso, cuidava dos cabelos a seu modo, sempre mantendo-os bem penteados. O reitor do Seminário não gostou desses cuidados e pediu seu desligamento da casa.
Dom José Thomaz Gomes da Silva, Bispo de Aracaju que residia no próprio Seminário, soube da dispensa e mandou chamá-lo para concluir os estudos por aqui. Convite aceito, Avelar transferiu-se para Aracaju e aqui concluiu seus estudos de seminário.
Um monsenhor da Paraíba, de passagem por Aracaju, hospedou-se no Seminário, onde encontrou-o, aluno. Procurou Dom José e lhe disse: "Dom José, o senhor trouxe Avelar pra estudar aqui?". Dom José: "Trouxe sim". "Avelar é vaidoso, não dá pra ser padre". E Dom José, bem solene: "Mas dá pra ser Bispo".
Foi Cardeal!

* Raymundo Mello é Memorialista
raymundopmello@yahoo.com.br