Um ano dobrado

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Publicada em 15/01/2015 às 01:00:00

* Rômulo Rodrigues

Podemos dizer que, assim como estão escritos nos bares da orla que os Caranguejos, as
Lambretas e os Chopp's, o ano que iniciou também é dobrado, ou como dizem os narradores de partidas de futebol de um jogo lá outro cá, é um ano de 180 minutos.
As pistas estão por toda parte e pelas incursões e declarações de figuras carimbadas, já temos algumas candidaturas a Prefeito de Aracaju, desfilando pelas Passarelas.
Só pela Agência de Top Model's do bloco do Governo, já temos dois ex-prefeitos e um candidato vencido no último pleito, em campanhas não muito disfarçadas, todos com as mais absolutas legitimidades.
È claro que a Política tem também o seu lado especulativo, à lá Bolsas de Valores, e seus respectivos Pregões, e é neles que já começam a serem ventilados nomes como os dos ex-Prefeitos Edvaldo nogueira e João Augusto Gama e do Deputado Federal Valadares Filho.

Todos sabemos que no campo escorregadio das especulações, as ações sobem e descem ao sabor da boataria plantadas pelos mais diversos interesses em jogo. Portanto, o que corre ao sabor dos ventos ainda vai passar por inúmeros pregões até as batidas dos martelos.
De certeza, certeza mesmo, só posso adiantar que é chegada a hora do Partido dos Trabalhadores ter a sua candidatura própria por uma razão muito simples. A militância petista não engole, de jeito nenhum, que um Partido que iniciou sua escalada ao poder, em uma Aliança minúscula, pela esquerda, no ano de 2000, chegue ao ano de 2015, fora dos dois executivos que conquistou durante o trajeto.

É muito difícil a absorção para esta militância, a maior e mais significativa do Estado de Sergipe, a lógica anti-franciscana implantada e que culminou com uma realidade meio esdrúxula de substituir o clássico é dando que se recebe, por é dando que se perde tudo.
Há exatos quatorze anos o Partido dos Trabalhadores tomava posse do comando da Prefeitura Municipal de Aracaju, após uma campanha militante em que o candidato vitorioso saiu de um incômodo terceiro lugar para uma surpreendente vitória no primeiro turno, com 52% dos votos, contrariando todos os Institutos de Pesquisas locais e nacionais e implantou um avançado método de Governança e Planejamento que resultou no, até hoje, insuperável, Aracaju + 10 e impulsionado por ele reelegeu seu Prefeito com 72%, quatro anos depois.

No Governo do Estado, eleito e reeleito no primeiro turno, o mesmo candidato do PT, deixou implantado, com a mesma filosofia do que deu certo na Capital, o Desenvolver-Se, focado nos Territórios da Cidadania e novamente reelege seu candidato a Governador, também em primeiro turno. Conclusão, o PT ganhou eleições em primeiro turno porque tinha força militante e ganhou as reeleições porque revolucionou na Governança.
E hoje, fora do comando da PMA e com um espaço bem menor no Governo do Estado, o PT, estaria fadado ao ostracismo político ou a um papel secundário? Claro que não.
Retomando com atenção à leitura do 18 de Brumário, vamos encontrar, textualmente, que os Homens, particularizemos os chefes políticos, tomam suas decisões, não segundo suas vontades, mas, movidos pelas circunstâncias. E foram, exatamente elas, que trouxeram o PT do Topo de 2000, 2004, 2006 e 2010, para a posição ocupada hoje e vão ser outras as circunstâncias que vão fazer o partido planejar o seu 2016, conjurando os seus

mortos e alicerçando o  retorno ao seu devido lugar.
As ocupações dos Espaços de Governo nas Secretarias da Agricultura e do Meio Ambiente com as duas novas caras de Esmeraldo e Olivier é  o maior desafio que o PT poderia enfrentar neste momento e isto vai exigir do Partido um esforço concentrado, sob a liderança de Rogério Carvalho, para fazer o melhor, no Governo Jackson Barreto, do que se fosse num Governo dirigido por outro companheiro de partido.
Um Partido político que tem a militância que o PT tem, a capacidade de renovar seus  quadros como demonstrou nas indicações ao Governador, e vivencia um novo estágio de direção com Rogério Carvalho, que manda para o Congresso Nacional um quadro do potencial de João Daniel, está no momento certo para retomar o Protagonismo Político do nosso Estado.

Este ano de 2015, tende a ser mais difícil que todos os doze anos passados dos três mandatos com origens no Trabalho e a Presidenta Dilma vai ter que escolher se vai Governar fazendo concessões arriscadas ao povo da Casa Grande ou se vai continuar firme ao lado dos que, na hora precisa, garantiram sua reeleição. É um escolha que já deveria ter sido tomada e estamos aguardando e confiando. As circunstâncias produzidas pelos sucessivos agravamentos nos Fatos que determinam as conjunturas internacionais estão a exigir, cada vez mais, que a nossa Presidente renove sua Aliança com os que lhe darão sustentabilidade.

Nunca é demais repetir, Rentistas, Barões da Mídia, Latifundiários, Banqueiros e demais devotos do Capital são como Xique-Xique, não dão sombra e nem encosto.

* Rômulo Rodrigues é militante político