O retorno do filho pródigo, ou a volta dos que não foram

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Publicada em 20/07/2012 às 14:28:00

* Almeida Lima
                                          
A política em Sergipe dos últimos trinta anos - de 1983 para cá -, tem sido uma sucessão de nulidades. João, Valadares... No meio desse caminho eis que surgem Déda e Edvaldo. Pregaram mudanças. Criaram expectativas. O povo acreditou. O resultado foi decepção generalizada. De tão nulos, quase que ressuscitaram, em 2010, o jurássico João Alves.

Foi aí que senti, com clareza, que todos eles são iguais. Senti a exaustão do modelo perverso de governar adotado por todos eles, sem exceção. Um modelo de privilégios ao capital, enquanto que, ao povo, apenas a distribuição de migalhas e de sofrimento. Senti a fadiga do nosso povo por conta dessa política e da repetição das mesmas caras no poder, inclusive no segundo escalão. Por isso que eles se tornaram inúteis a um projeto de governo que contemple os interesses mais populares.

O vácuo se fez. A sensação de ausência de governo contagiou a sociedade que foi levada a desacreditar nesses governos. Sabe-se que nesses momentos de depressão social, a história tem registrado, ao longo dos séculos, a necessidade de construção de um novo pacto, a defesa de novas bandeiras a fim de tirar o povo da desesperança, da letargia mesmo, e despertá-lo para novos sonhos, esperanças, e para uma vida de novas perspectivas. É preciso levar ao povo a certeza de que o dia seguinte será melhor que o dia atual e muito melhor que o dia anterior.

Não por acaso delineei a tese de construção de uma nova política em Aracaju e em Sergipe. Tenho consciência assentada no conhecimento da história que o mal maior para uma sociedade é a falta de perspectiva, mais até que uma epidemia, e que Deus nos livre. À classe dirigente, sobretudo a classe política, com a sensibilidade devida, compete antever esses momentos de depressão social e oferecer alternativa a tempo e hora, a fim de evitar mal maior, a exemplo de desobediência civil ou de convulsão social.

Foi com esse propósito que saí à cata de tantos quantos pudessem se fazer presentes, somando-se a esse projeto. Evidente que não procurei aqueles que construíram o caos que aí está na saúde, na educação, na segurança, na mobilidade urbana e em tantos outros setores da atividade pública. Afinal, como já dito por Albert Einstein, não se restabelece a ordem com quem criou a desordem.

Dito isso, vamos ao ponto central objeto desta reflexão. Quem, em Sergipe, poderia se somar a esse projeto de uma nova política que, por princípio, exclui todos aqueles que, nesses últimos trinta anos, governaram e governam Sergipe, e patrocinaram o caos que aí está? Quem poderia se opor e fazer oposição verdadeira ao atual governo, com autonomia e independência? - Entendo que a essas perguntas não devo dar respostas, prefiro deixá-las à sua reflexão.

Num plano superior, a evolução do homem é um desejo Divino. Entre nós, na terra, é um direito/dever. Evoluir é dignificante. Quando vi o empresário Edvan Amorim sair das hostes de João Alves, rompendo laços profundos e até familiares, deixando para trás um passado desprezível, pensei que evoluíam, e imaginei que evoluíram mais ainda quando saíram do petismo de Marcelo Déda, cujas causas não trato aqui, posto que, ainda, não estão devidamente clareadas.

Por essas razões continuei a imaginar que o grupo dos irmãos Amorim poderia abraçar o projeto de construção da nova ideia política, e foi por isso que o procurei e, insistentemente defendi a tese da aliança.

É bem verdade que, também, se fosse hoje, após ler a matéria do portal Congresso Em Foco, publicada nesta semana, que noticia que o senador Eduardo Amorim responde ao Inquérito nº 3381, no STF, por "captação ilícita de votos" e ao Inquérito nº 2867, no STF, por "improbidade administrativa/crime da Lei de Licitações" em virtude de atos praticados quando era secretário de saúde do governo João Alves, e que o deputado federal André Moura também responde ao Inquérito nº 3110, no STF, por "crimes eleitorais", ao Inquérito nº 3224, no STF, por "crimes de responsabilidades/quadrilha ou bando", ao Inquérito nº 3221, no STF, por "crimes de responsabilidade" e ao Inquérito nº 3204, no STF, por "quadrilha ou bando/improbidade administrativa", por certo que eu não teria tido nenhum encontro com eles para tratativas políticas.

Ao deixar o PMDB, deixei, também, a base do governo por todas as razões que já declinei e por necessidade de construir essa Nova Ordem Política. Antes de chegar ao PPS, fui sincero com os seus dirigentes ao discutir, previamente, o projeto político de construção dessa nova ideia que tem como base a oposição aos que fracassaram no passado e aos que decepcionam no presente, bem como disse da minha profissão de fé, e tudo isso é do conhecimento público.

Por essas razões busquei o apoio dos Amorim. O objetivo valia a pena. Não há motivos para negar. Tenho fundamentos de sobra para reafirmar a necessidade de somar forças para a construção de nova ideia, excluindo, evidente, os que fazem da política um balcão de negócios. Que fique claro: não pagarei preço algum que represente imoralidade, seja o apoio do tamanho que for, pois seria um contrassenso, um sofisma abominável.

A verdade é que o grupo Amorim saiu de um ponto ao deixar João. Deu um giro de 360º, fez malabarismos, visitou as antessalas do PT e acabou retornando para o ponto de onde partiu: João. Em nada evoluiu. Ao girar em torno de si próprio, apenas exercitou a arte de enganar. Politicamente ele voltou cabisbaixo.

Retornou com o seu exército de brancaleones ao talante do seu verdadeiro chefe: João Alves. Ao que pareceu uma recaída, foi, na verdade, o reencontro com o velho espelho. E nesse reencontro com a velha raposa, Edvan Amorim pode, por fim, exercitar aquilo a que o deputado Mendonça Prado chamou de "habilidades para fazer negócios".

* Almeida Lima é deputado federal PPS/SE. Foi prefeito de Aracaju e senador da República