Novo fracasso de João

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Publicada em 02/02/2015 às 00:16:00

O prefeito João Alves Filho (DEM) desistiu de realizar o insosso "Carnaval de Todos os Ritmos", que reuniria 21 bandas locais e quatro atrações infantis, e aconteceria na Praia de Atalaia entre os dias 13 e 17 de fevereiro. A programação havia sido divulgada na última terça-feira pela própria PMA.
Como sempre, João Alves encontrou outros culpados pelo seu novo fracasso. Um dos motivos alegados foi a suposta reação contrária de comerciantes de bares, restaurantes e hotéis da Orla, os quais alegam ter sofrido prejuízos com as últimas edições do Carnaju, promovidas pela PMA em 2013 e 2014.
 "Entre eles [motivos], está a solicitação de moradores da área junto ao Ministério Público Estadual para a suspensão da mesma, além da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) oficialmente solicitar a não realização da festa. Isso porque segundo a Abrasel, o Carnaval realizado na área da Passarela Caranguejo causou 'prejuízo financeiro ao setor e a revolta de alguns donos de bares daquela localidade'", atribui de forma fantasiosa a nota oficial da Prefeitura de Aracaju.
João já havia praticamente acabado com a consagrada festa de Réveillon criada pelo então prefeito Marcelo Déda (1960-2013) e agora dá um basta no Carnaval. Ninguém estranhe se ele adotar essa mesma postura em relação ao Forró Caju.
A administração João Alves Filho é um verdadeiro caos. Não faz nada como prefeito e ainda está acabando com as tradições populares.

O TCE não tem jeito
Muito difícil é colher uma informação no Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre a prestação de contas de algumas entidades envolvidas no "escândalo das subvenções" e de seus padrinhos políticos. Os únicos processos que estão andando, parece, são os que têm como relator o conselheiro Clóvis Barbosa.
São nove processos e a ex-presidente da Assembleia Legislativa, agora conselheira Angélica Guimarães, já foi notificada para oferecer defesa. Os outros processos estão nas mãos dos conselheiros Carlos Alberto Sobral, Ulices Andrade e Suzana Azevedo, os quais deram um despacho de gaveta para nunca julgá-los. Culpa deles? Não. A culpa é do Ministério Público Estadual, que, apesar de ter encaminhado esses processos nos anos de 2012 e 2013, hoje não cobra do Tribunal e de seus conselheiros o cumprimento institucional de suas obrigações. O novo procurador-geral de Justiça, Rony Almeida, precisa urgentemente cumprir o seu papel de fiscal da Lei.
A Fabaju, por exemplo, uma entidade política conhecida pelos escândalos em que se envolve, até hoje não prestou contas de R$ 105 mil recebidos das subvenções, em emendas dos então deputados Gilmar Carvalho e Adelson Barreto. Outra, o Instituto Beneficente Cidade Nova, recebeu dinheiro em 2010, 2011 e 2012, num total de R$ 1,1 milhão, e até hoje não prestou contas.

As verbas de subvenção viraram uma grande esculhambação, uma das maiores farras  de dinheiro público em Sergipe, sob os olhares complacentes do Tribunal de Contas e do Ministério Público Estadual. O Tribunal de Contas não é do presidente Carlos Pinna, um engavetador de processos, e nem dos conselheiros - ao menos em tese. É da sociedade.
O mais lamentável é o papel do Ministério Público de Contas, que tudo assiste passivamente e nem se sentiu incomodado com a posse de Angélica para o Conselho do TCE, mesmo sendo ela acusada de desviar recursos públicos para beneficiar entidades suspeitas. Inclusive para a associação presidida por sua mãe, em Japoatã, para onde despachou mais de R$ 500 mil no ano passado, enquanto fazia a campanha do seu marido, Dr. Vanderbal Marinho, para a Assembleia Legislativa.
O Ministério Público Estadual também tem sua parte de culpa. Já era hora de pedir ao Judiciário a punição desses conselheiros pela prática do crime de prevaricação.
Um detalhe: todos os deputados da legislatura passada - inclusive a atual conselheira Susana Azevedo - que foram denunciados pelo MPF por uso irregular das subvenções culpam a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa por eventual pagamento irregular. No caso, Angélica Guimarães, agora conselheira do TCE.

Um vácuo na Segurança
Foi um erro o governador Jackson Barreto ter permitido que Mendonça Prado só assumisse o comando da Secretaria da Segurança Pública esta semana. O mês de janeiro acabou atravessando sem um comando efetivo na SSP.
João Eloy, com razão, foi para a sua fazenda no sertão da Bahia, logo depois que JB anunciou o novo secretário.  Mendonça, no entanto, preferiu passar o mês de janeiro cumprindo o final do seu mandato como deputado federal, mesmo sem qualquer atividade parlamentar.
Ou assume e dá um choque de gestão no combate à criminalidade, ou será um secretário temporário.

Os 10 anos do JD
A primeira edição do JORNAL DO DIA foi publicada em 11 de janeiro de 2005, sem qualquer tipo de divulgação. Até as poucas faixas espalhadas pela cidade anunciando a novidade foram arrancadas pelas equipes da Emsurb, na época em que Marcelo Déda era o prefeito de Aracaju. Surgiu de conversas e entendimentos entre os jornalistas Gilvan Manoel, Elenilton Pereira, André Barros e Rita Oliveira.
André deixou o grupo poucos meses depois de lançado o JD, interessado em entendimentos com o então governador João Alves Filho. A maioria da equipe, no entanto, preferiu continuar sendo crítica em relação ao modelo político da época e abriu espaços para outros segmentos da sociedade.
Os 10 anos do JORNAL DO DIA são representativos para os seus criadores e diretores, mas muito mais para a sociedade sergipana, que passou a contar com um veículo sem amarras políticas e econômicas.

O uso do cachimbo
Líderes da oposição em Sergipe não cansam de criticar o governador Jackson Barreto (PMDB) pelo seu envolvimento na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. Falam da suposta independência do Poder Legislativo.
Jackson sempre demonstrou preferência pela indicação do deputado Luciano Bispo (PMDB) e, na semana passada, costurou uma chapa de entendimento, inclusive com a participação do deputado Venâncio Fonseca (PP), que foi líder da oposição nos últimos oito anos.

A mesma oposição que critica a interferência do governo no Legislativo foi quem, com uma boa dose de irresponsabilidade, comandou a Assembleia nos últimos quatro anos, através de Angélica Guimarães, que só permitia a tramitação de um projeto após a autorização do senador Eduardo Amorim (PSC) e do seu irmão Edvan, com quem também mantinha relações comerciais, através de um gordo contrato da Alese com a Ilha FM.
Na semana passada, o senador Eduardo reuniu os deputados eleitos pelo seu bloco para comunicar que o líder do grupo na Assembleia passaria a ser o deputado Capitão Samuel (PSL).
Quem é mesmo independente?

Chapa única
Como a jornalista Rita Oliveira noticiou em primeira mão na semana passada, a chapa que deve ser eleita hoje à tarde para comandar a Assembleia Legislativa é a seguinte: Luciano Bispo (PMDB) presidente, Garibalde Mendonça (PMDB) vice-presidente, Jeferson Andrade (PSD) 1º secretário, Goreti Reis (DEM) 2ª secretária, Venâncio Fonseca (PP) 3º secretário e Luiz Mitidieri (PSD) 4º secretário.
O deputado Gustinho Ribeiro (PSD), que passou todo o mês de janeiro dizendo que já tinha 16 votos para a sua chapa, acabou sendo atropelado por Luciano Bispo e deverá ficar sem cargo. Até a bancada de oposição admite que não há número para montar nova chapa.

Na semana passada, durante encontro com o governador Jackson Barreto, Gustinho disse que, se fosse ele quem tivesse indicado o presidente do Detran, como ocorreu com o seu colega de partido Jeferson Andrade, seria o primeiro a abrir mão da condição de candidato a primeiro secretário da Mesa Diretora da Alese, para acomodar o colega de partido. Consultado por JB, Jeferson disse que não poderia abrir mão da sua candidatura, porque foi uma construção dos deputados que integram a chapa.

Foi a última tentativa do deputado em encontrar uma saída honrosa para o seu blefe.
Há duas semanas, o seu pai, conselheiro Luiz Augusto Ribeiro, se recusou a participar de votação no TCE de processos contra a então presidente da Assembleia, Angélica Guimarães, porque ela havia prometido o voto do seu marido, deputado Dr. Vanderbal (PSL), à candidatura de Gustinho para presidência da AL.

Vapt-vupt
A solenidade de posse dos 24 deputados eleitos acontecerá às 15h deste domingo, na Assembleia Legislativa, em sessão presidida pela deputada mais idosa da Casa, Ana Lúcia (PT). Depois da posse, ela conduzirá o processo de eleição da Mesa Diretora e, após eleição, os eleitos ocuparão a Mesa e conduzirão os trabalhos.
O novo presidente, que deverá ser Luciano Bispo, fará um breve discurso e depois convocará nova sessão para 23 de fevereiro - a primeira segunda-feira após o Carnaval. E os deputados voltam a curtir prolongadas férias.
Luciano Bispo já está convidando colegas e o governador Jackson Barreto para um festivo jantar em Itabaiana na noite de hoje.