A DIFICIL TAREFA DE LUCIANO

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Publicada em 02/02/2015 às 00:24:00

O deputado Luciano Bispo que se tornará presidente da Assembléia é político extremamente hábil. Bem relacionado e benquisto, ele transita com desenvoltura por todos os gabinetes onde se abrigam os seus pares e as lideranças políticas em geral. Assume a presidência da Assembléia e recebe nas mãos uma batata quentíssima que poderá queimar todo o Poder, quase desfazê-lo ou destroça-lo, tudo dependendo do encaminhamento que tomar o inquérito conduzido pelo Ministério Público Federal que revelou inimagináveis absurdos na manipulação de recursos das malfadadas subvenções. Ao lado dos problemas gravíssimos que terá de enfrentar aquela em má hora feita Conselheira,  a ex-deputada e presidente Angélica Guimarães,  Luciano, que a substitui, disso nada terá a ver, mas, irá se deparar com um Legislativo onde todos os deputados reeleitos estão com as cabeças quase sobre o cepo, suceptíveis a uma degola coletiva. É algo inusitado, um fato jamais acontecido na Assembléia Legislativa de Sergipe, mesmo nos tempos autoritários do regime militar. Caberá a Luciano a tarefa que é essencialmente política, de buscar  a sobrevida para  um poder combalido, todavia essencial para a democracia sergipana, e sobretudo para a governabilidade, num ano que se prevê, recheado de dificuldades. Claro, Luciano não tentará buscar a impunidade, mas é seu papel agir institucionalmente para preservar o Poder que comandará. E isso só poderá ser feito através de um diálogo de alto nível, que leve em conta a supremacia do voto popular e a preservação das indispensáveis prerrogativas do Ministério Público agora com o envolvimento tanto do Federal como do estadual. Em primeiro lugar, Luciano terá de conseguir um consenso, para que, imediatamente, seja extinta a maléfica e desencaminhada 'prerrogativa' que têm os deputados, no caso da distribuição de dinheiro através das subvenções que recebem, agora na casa de um portentoso um milhão e meio de reais para cada um. Num período de vacas magras os deputados se desfariam dessa gorda benesse que, até agora, se lhes deu alguma vantagem, certamente não compensaria os dissabores que atravessam. No mais, seria devolver o que foi ilícita ou equivocadamente utilizado, e corrigir alguns outros absurdos, como a contratação excessiva de pessoal, o gasto exagerado com combustíveis, o privilégio milionário concedido à Rede Ilha, e, depois disso, tentar tocar em frente, aguardando os senhores deputados o julgamento que deles será feito nas próximas eleições de 1018. Numa eleição que se espera, esteja livre dos vícios e dos convites quase irrecusáveis que são feitos para o uso de recursos públicos diante do assédio insaciável de chefes políticos e também dos próprios eleitores.