Diálogo aberto com a juventude na Bienal da UNE

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Publicada em 06/02/2015 às 15:26:00

O ministro da Cultura Juca Ferreira, em conversa com os estudantes, prometeu contribuir para que a regulamentação da meia-entrada seja feita o mais breve possível. O tema marcou a abertura dos diálogos com a juventude na 9ª Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), que acontece no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (4).
"Só queria esclarecer uma coisa: se dependesse da minha canetada, a meia-entrada já estaria vigorando", afirmou o ministro. "Vou pedir que a UNE entre em contato com a representação dos artistas e imediatamente produza uma pactuação que torne possível que esta regulamentação seja feita a curto prazo."

Segundo Juca, "a meia entrada faz parte da política de democratização da cultura no Brasil, que é uma das credenciais com que nós trabalhamos". Atualmente, o Ministério da Cultura (MinC) e a Secretaria-Geral da Presidência da República estão fazendo reuniões para discutir a regulamentação da Lei da Meia-Entrada (12.933/2013).

Lei de Incentivo - Na conversa, Juca ainda ressaltou a necessidade de democratizar o acesso aos recursos públicos da área cultural no Brasil. "A Lei Rouanet não responde às necessidades da cultura brasileira. É preciso ter coragem para fazer a mudança e permitir que os artistas, os produtores culturais, as redes culturais tenham acesso aos recursos públicos. Estes recursos pertencem ao povo brasileiro e não podem ser privatizados como são outros".
Segundo o ministro, os incentivos financeiros devem contemplar a diversidade cultural e regional do país. "Quando eu digo isso, estou pensando no Brasil como um todo. Estou pensando nos povos indígenas, que têm direito a fazer parte do país. Estou pensando na juventude, estou pensando na juventude periférica, negra, que vive acossada pela violência policial. Não há o menor avanço se nós não incluirmos os povos indígenas na sociedade brasileira com plenos direitos".

A importância da participação dos movimentos sociais no cenário nacional foi destacada pelo ministro. "Queria dizer que eu não acredito na possibilidade de transformação social, de melhoria das condições sociais do Brasil, sem a participação da população e particularmente dos movimentos organizados", ressaltou.
O ministro disse ainda que "é fundamental que os movimentos - não só a UNE, a UBES e as demais organizações dos estudantes, da juventude - consigam empurrar o processo para mais adiante".
Uma das principais propostas da gestão atual do MinC é uma conversa permanente com a sociedade e, para isso, está sendo estruturado um gabinete digital. "São os movimentos organizados que fazem com que as condições políticas para o avanço se deem. Eu trabalho o tempo inteiro com isso".

O ministro chegou para o encontro da UNE em meio a um cortejo com figuras folclóricas brasileiras, como Bumba meu boi, Iemanjá, bonecos de Olinda, entre outros.
Esse é o maior festival estudantil da América Latina. A edição deste ano tem como tema #vozesdobrasil, um convite à reflexão sobre a língua como elemento da identidade cultural brasileira. Ao longo de seis dias, serão discutidos outros temas como o papel da internet e o modelo de reforma política.