Pré Carnaval na República

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De farra a gente entende
De farra a gente entende

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Publicada em 06/02/2015 às 15:26:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Carnaval é festa democrática. Cada um brinca do jeito que mais lhe apetece. Na fuzarca antecipada promovida pela República, por exemplo, não vai ter bandinha de frevo, mas O Terno (SP) e Coutto Orchestra. Os paulistas mandam muito bem em linhas de guitarras saudosistas. Banda afiadíssima. Mas já que é pra jogar confete e serpentina, melhor apontar para a festiva Coutto Orchestra. De farra a gente entende.

A cirunferência da Terra inteira - Quando a Coutto Orchestra lançou o EP Aratu Milonga, ano passado, a pegada marcial da banda e o pulso cardíaco de suas canções passaram a rasteira em todo mundo. A insistência de algumas poucas frases fundamentais, pisadas e repisadas até o limite da exaustão, dava ênfase a uma urgência primitiva, como se as melodias animadas pelo arsenal reunido em cima do palco restassem resolvidas em si mesmas. Agora, a conversa é outra. Com o lançamento de eletro FUN farra, a Coutto mostra a que veio, decidida à circunferência da Terra inteira.

O propalado apelo festivo da banda dá o tom do registro, numa conjugação bem resolvida entre o aparato tecnológico utilizado pelos músicos e a vocação rítmica guardada nas entranhas de cada um. Apesar disso, não faltam momentos de lirismo, como quando o poeta Allan Jhones se derrama numa ladainha carregada de reticências, ou quando a atriz Diane Veloso empresta a voz para pontuar uma peça executada ao piano. Nesse particular, contudo, nenhuma passagem é páreo para Dorival Caymmi - composição de Márcio André, Alex Sant'anna e Abraão Gonzaga que encerra o disco. Quem ouviu não esquece.

Ecumênico. Embora diversos elementos da cultura popular nordestina sejam percebidos ao longo das 10 faixas do disco, não há aqui esforço de valoração aparente, nenhuma intenção de preservação ou resgate orienta os arranjos emprestados às composições de eletro FUN farra. Muito ao contrário. A alegria essencial dos tambores, o eco de palmadas cheias de calos, os folguedos e as brincadeiras não são localizadas no mapa. Do sopapo, a vibração da pancada.

Qualquer classificação seria arriscada. O primeiro disco oficial da Coutto Orchestra não obedece a cartilha riscada em canto nenhum. Talvez seja uma questão de perceber os rangidos da experiência em seu estado bruto. Alguém já disse que o mundo é rumor e barulho.
O Terno + Coutto Orchetra no Pré Carnaval da República:
sexta-feira, 06 de fevereiro, 22 horas