Xexéu - ontem, hoje e sempre

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A BELEZA DO CANTOR SEMPRE FOI MOTIVO DE ELOGIOS
A BELEZA DO CANTOR SEMPRE FOI MOTIVO DE ELOGIOS

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Publicada em 10/02/2015 às 15:05:00

Tive o prazer de conhecer Xexéu em dezembro de 1994 ou 95 (não lembro exatamente) quando estive visitando o meu irmão Arquimedes, em Salvador, ele que reside num belo apartamento no Porto da Barra. Numa bela tarde de domingo, eis que a campainha toca. Arquimedes atende. Era ninguém menos do que o incrível Xexéu. Os amigos cumprimentam-se num longo abraço e logo sou apresentado ao "Deus de Ébano", na época já famosíssimo como o mais notável componente da banda Timbalada. Tal a simpatia do cantor que logo tornei-me seu "amigo se infância". Num bate-papo festivo regado a uísque e outras "bebidinhas" menos cotadas, fomos até de manhã, indo depois curar a ressaca nas águas tranquilas da Praia da Barra.
Fiquei impressionado com a simplicidade e carisma de Xexéu, àquela altura bastante famoso não apenas no Brasil, mas também no exterior, ou seja, nos países por onde a Timbalada passou. Os discos da Banda já eram vendidos aos milhares e não havia quem não cantasse "Encontrei Margarida  perfumada" ou  "Tá com sede? Água mineral, água mineral" e tantos outros versos dos múltiplos sucessos de uma Timbalada que tinha vindo para dar um sacudidela na chamada "música baiana", um tanto saturada com os falsos brilhantes, tão medíocres quanto equivocados.

Depois, Xexéu resolveu dar um guinada de 360 graus na sua carreira musical, desligando-se da banda. Quem não acreditava que ele poderia fazer sucesso sozinho, quebrou a cara e os cornos. Gravou dezenas de discos, vendeu milhões de cópias, amealhou uma fortuna inestimável, entre atrizes, modelos e cantoras passaram pelos braços torneados de Xexéu e o "negão" deixava todas elas com gostinho de "quero mais", por motivos óbvios, claro...
De repente, Xexéu caiu na armadilha das drogas, tornando-se dependente químico. Para saciar o vício, aos poucos foi se desfazendo de toda a sua fortuna. Abandonou a fama, a carreira brilhante, as mulheres, trocando tudo pelo prazer momentâneo e destruidor das drogas. Um drama que eu conheço muito bem, porque já o vivenciei, quando morei em Porto Alegre, trabalhando como ator no Teatro de Aerna local. Também cheguei ao fundo do poço, mas assim como Xexéu, uma força superior trouxe-me à tona, bastante sofrido, mas disposto a recomeçar.
Foi com indignação que vi recentemente o Geraldo José, no seu programa dominical da Record, carregando nas tintas (como é do seu feitio) fazendo um sensacionalismo barato e condenável. Do jeito que desenvolveu a pseudoreportagem conseguiu passar para o telespectador do seu programa, a idéia de que Xexéu, ainda estaria vivendo nas ruas, inteiramente dominado pelo vício.
E não foi isso o que se viu no desfecho da matéria. Vimos o Xexéu bonitão, saudável, vivendo num apartamento alugado, em Fortaleza, cidade que que o acolheu carinhosamente, ao lado do seu filho, cujo nome não lembro, mas cantor e músico de talento como o pai, Há sete anos, Xexéu está "limpo" e jovem, com apenas 41 anos. Pronto para reconquistar tudo aquilo que perdeu. Vive da glória que deixou escapar, inconscientemente ou não.
Axé procê, Xexéu querido!