O CARNAVAL E A SEXUALIDADE

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Publicada em 11/02/2015 às 00:29:00

* Almir Santana

O carnaval está chegando e com ele a expectativa de grandes acontecimentos. Daí, quando se fala em carnaval, logo vem à cabeça festa, alegria, romances passageiros.
O carnaval transforma a maioria das pessoas. Nos quatro dias de folia, o que vale é a diversão. Para alguns, o que parece vir à tona nos dias de folia é a sexualidade e sensualidade reprimidas. É a época em que as pessoas procuram se comportar de um jeito diferente. Muitos fazem coisas que não fariam no dia a dia. Outros consideram que é apenas uma época de brincadeiras. As pessoas exercem a capacidade de brincar que se esqueceram durante o ano inteiro.

Um grande aliado na mudança de comportamento durante o carnaval é o uso excessivo das bebidas alcoólicas. As pessoas dizem tudo e muito mais quando exageram no consumo de bebidas alcoólicas. As bebidas impactam o sinal de alerta do cérebro responsável pelo autocontrole, que costuma prevenir o arrependimento. As pessoas são capazes de externar pensamentos e comportamentos que ficam reprimidos.

Para muitos, o carnaval proporciona uma oportunidade de novos relacionamentos amorosos. É ai onde mora o perigo. Considerando que, a principal forma de transmissão do HIV é a relação sexual sem preservativos, muitas pessoas se relacionam sexualmente sem o preservativo, apesar da existência de milhares de camisinhas nas cidades e locais estratégicos da folia.
É importante lembrar que, embora o Brasil disponibilize os mais diversos e avançados medicamentos antirretrovirais (medicamentos usados no tratamento da AIDS), a cura da doença ainda está muito distante.
Para as pessoas que costumam mudar de comportamento sexual no carnaval, a camisinha passa a ser uma importante companheira nos dias da maior festa popular do Brasil.

É importante, nos momentos que antecedem o carnaval, lembrar-se de alguns cuidados que devemos ter com as camisinhas: abrir a embalagem com cuidado - nunca com os dentes ou outros objetos que possam danificá-la. Colocar a camisinha somente quando o pênis estiver ereto. Apertar a ponta da camisinha para retirar todo o ar e depois desenrolar a camisinha até a base do pênis. Se for preciso usar lubrificantes, usar somente aqueles à base de água, evitando vaselina e outros lubrificantes à base de óleo que podem romper o látex. Após a ejaculação, retirar a camisinha com o pênis ainda ereto, fechando com a mão a abertura para evitar que o esperma vaze de dentro da camisinha. Dar um nó no meio da camisinha para depois jogá-la no lixo. Nunca usar a camisinha mais de uma vez. Utilizar somente um preservativo por vez, já que preservativos sobrepostos podem se romper com o atrito.
Não utilize preservativos que estão guardados há muito tempo em locais abafados, como bolsos de calça, carteiras ou porta-luvas de carro, pois ficam mais sujeitos ao rompimento.

Então ai fica a dica para aqueles que querem "fazer tudo" neste carnaval, lembrando que se divertir não precisa ser sinônimo de "irresponsabilidade e exageros". Tudo pode ser aproveitado com muita responsabilidade. Lembre-se, Sexo sempre com preservativo.
Para aquelas pessoas que, nas relações sexuais ocasionais ou não, não querem usar camisinha, só resta uma recomendação: trinta dias após a última relação sexual desprotegida, façam o teste para o diagnóstico precoce do HIV. Caso o resultado dê positivo, iniciem o tratamento.

* Almir Santana é médico e coordenador do Programa DST/Aids da Secretaria de Estado de Sergipe. Foi pioneiro no tratamento da Aids em Sergipe