João Daniel: "Não vejo sentido no impeachment"

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O deputado federal João Daniel: \"Dilma fará um governo mais aberto para ouvir, debater e discutir\"
O deputado federal João Daniel: \"Dilma fará um governo mais aberto para ouvir, debater e discutir\"

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Publicada em 22/02/2015 às 00:06:00

O deputado federal João Daniel Somariva (PT) não acredita que haja motivos para um possível processo de impeachment da presidente e colega de partido Dilma Rousseff, conforme proposta defendida por setores e grupos de tendência conservadora. Para ele, a ideia não é defendida nem pela própria bancada de oposição no Congresso, mas sim por "setores isolados" que não têm apreço à democracia.  Em entrevista ao JORNAL DO DIA, Daniel reafirmou a posição do PT em investigar mais a fundo as denúncias de corrupção na Petrobras, principalmente sobre os casos ocorridos desde 1997, durante o mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ele falou também sobre seus compromissos à frente do mandato, que são o de defender e abrir mais espaço para os movimentos sociais de luta pela terra.
Confira a íntegra da entrevista:

Jornal do Dia - Deputado, já deu para sentir as diferenças de atuação na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa de Sergipe?
João Daniel -Sim, claro. É muito diferente em tudo. A quantidade de deputados, os debates e as discussões. Aqui, na Assembleia, nós tínhamos uma sessão por dia durante quatro dias na semana. Lá em Brasília eu tenho trabalho de 7h às 22h, todos os dias, porque não são só as plenárias, existem outras questões, articulações.

JD - Qual será o foco de sua atuação em Brasília?
João -Seguiremos em Brasília com todas as demandas coletivas que nos forem demandadas de todas as categorias da classe trabalhadora, mas em especial os movimentos populares e a questão agrária, incluindo a questão da reforma agrária e a pauta do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e Via Campesina em nível nacional.  Este é um dos pontos fortes que vamos atuar. No entanto, não temos definido que iremos ficar apenas nisso ou naquilo, mas iremos atuar em todas as demandas coletivas. Por exemplo, os operários da construção civil aonde eles estão debatendo a aposentadoria, 40 horas semanais... Então estamos atuando com uma pauta em nível das demandas que nos foram reivindicadas pelos movimentos sindical, popular, movimentos sociais e também do nosso partido.

JD - O senhor é um dos líderes do MST em Sergipe. Como deputado federal é mais fácil obter atenção dos órgãos da área para movimentos sociais, como o MST?
João -Sem dúvida. O mandato abre mais possibilidades para articular projetos, programas e defender as causas, as bandeiras e servindo ao MST. Apesar que o movimento nunca dependeu de ter ou não deputado representando. Mas o mandato ajuda a fortalecer a organização, a luta e as reivindicações dos movimentos.

JD - O PT e o governo da presidente Dilma Rousseff estão passando por uma situação muito crítica, com as denúncias de corrupção na Petrobras. Qual a avaliação que o senhor faz dessas denúncias?
João -A nossa avaliação com relação às denúncias é de que nós precisamos - e esta é uma determinação do nosso partido, o Partido dos Trabalhadores, e também da presidente Dilma Rousseff - que tudo seja apurado, que tudo deve ser esclarecido. Nós, inclusive, protocolamos um ofício assinado pela maioria da bancada do PT e eu acompanhei e participei solicitando que tanto o Ministério Público Federal, Ministério da Justiça e Polícia Federal investiguem e apurem todas as denúncias desde quando elas iniciaram, porque, segundo os depoimentos, elas tiveram início no ano de 1997.

JD - Através das redes sociais e até entre alguns congressistas já falam até num eventual impeachment da presidente Dilma. O senhor acha isso possível? Por quê?
João -Eu não vejo nenhuma possibilidade legal. A presidente Dilma Rousseff foi eleita democraticamente, num processo limpo, claro e ela vai governar durante os próximos quatro anos. Qualquer palavra neste momento de pedido de impeachment não passa de golpe daqueles que não conseguiram, pela terceira vez, democraticamente nas urnas, ganhar as eleições. Não ouço dentro do Congresso, na Câmara dos Deputados não vejo por parte da maioria, inclusive por setores da oposição, nenhuma mobilização neste sentido. Vejo alguns, que são setores isolados, que não têm nenhum respeito e responsabilidade com o Brasil que neste momento vive um momento com certas dificuldades econômicas, mas num grande processo de construção iniciado no governo Lula e sendo consolida como uma grande nação, soberana, de inclusão, de participação em todos os fóruns internacionais com peso, com vez e voz e dando ao povo Brasil mais e melhores condições de vida. Ainda muito precisamos fazer, mas temos caminhado em passos firmes para resolver os problemas sociais. Não vejo nenhum sentido e lamento que tenha gente tentando fazer com que a população brasileira e de Sergipe entre nessa onda de impeachment. Não tem nenhum sentido.

JD - O senhor acha que a presidente mantém uma boa relação com o PT e outros partidos aliados?
João -A presidenta Dilma Rousseff tem um jeito de governar que já foi do primeiro mandato e agora no segundo. Tem mostrado interesse e recebido neste segundo mandato todos os partidos, todos os movimentos sociais e sindicais e acredito que ela vai ter esse segundo mandato de mais participação popular, mais debates e ser um governo mais aberto para ouvir, debater e discutir. Esses são os sinais que ela já deu no início de seu governo e acredito que continuará fazendo e é, inclusive, uma reivindicação da bancada nacional do PT que possa ouvir a bancada, o partido, os movimentos sociais e populares do nosso país, até porque na eleição da presidenta Dilma um dos grandes compromissos foi com as grandes mudanças e transformações que dão origem na luta popular brasileira para continuar avançando e avançando com uma sociedade cada vez mais de participação popular. A presidenta tem obrigação e deve ouvir toda sociedade, os movimentos sociais, sindicais, o partido e a bancada.

JD - Passando para a administração estadual, como está a relação do governo Jackson Barreto com o PT? O PT está satisfeito com o espaço que obteve no governo?
João -A nossa relação com o governo Jackson Barreto é muito boa, de respeito e de participação do nosso partido no governo. O nosso partido tem espaços dentro do governo. Os espaços dados ao PT foram os que o governo entendeu. O PT está satisfeito com o governo Jackson Barreto e confiando e temos certeza que ele fará uma grande administração neste mandato.

JD - As investigações sobre o uso das verbas de subvenção da Assembleia Legislativa no ano passado atingem o seu mandato. O senhor já fez sua a defesa na ação movida pela Procuradoria Eleitoral e que encontra-se em tramitação no TRE?
João -Quando fomos notificados, nossa Assessoria Jurídica fez a defesa e quanto a este assunto nós sempre estivemos nossa consciência muito tranquila, porque tudo que fizemos, desde o primeiro até o último ano na Assembleia, foi muito transparente e dentro da legalidade.