O BRASIL DA ENXADA MALSINAVA A INDÚSTRIA

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Publicada em 22/02/2015 às 00:13:00

Os grandes fazendeiros, gente extremamente conservadora que plantava café, ao lado dos senhores de engenho nordestinos, mandavam para representá-los no Congresso Nacional os senadores e deputados, que topavam ouvir qualquer discurso, menosdaqueles que no Império falavam em Abolição ou República. Depois, deposto o imperador, lembravam da necessidade de modernizar o Brasil, e entendiam que isso não poderia acontecer sem a industrialização. Para a oligarquia rural, sugerir que se instalassem fábricas no país significava quase a mesma coisa que defender a ideia estúpida e malsã da reforma agrária.
Havia, ao lado do conservadorismo rural, uma elite pensante que se dedicava a cantar as virtudes e as vantagens do Brasil como um ¨país essencialmente agrícola¨. Isso era motivo de extremado orgulho. Para que ser uma Bélgica, uma Inglaterra, ou França,Alemanha? Se aqui se instalassem fábricas, logo se formariam os contingentes proletários, e com eles viriam os sindicatos e as ideologias devastadoras da religião, da propriedade, das nossas melhores tradições. Com operários se organizando, exigindo, fazendo greves, teríamos a desordem propagada pelo socialismo, pelo anarquismo, pestes que andavam a ameaçar a estabilidade das monarquias européias. O Brasil rural, acomodado, tranqüilo, sem agitações políticas, sem povaréu paralisando fábricas, mas produzindo muito café, açúcar, carne, leite, couros, produtos fáceis de exportar, seria o modelo perfeito de um país que tinha enormes espaços de terra fértil onde plantar e colher. Aqui, poderia se concretizar a utopia, a sociedade perfeita, embora servindo apenas para a satisfação de uma reduzida elite de proprietários.
Atravessamos o tempo, conseguimos fazer grandes avanços econômicos, e ultimamente sociais, mas não

nos livramos totalmente do preconceito contra a industrialização, preconceito, ou o que seria pior, incapacidade para fazê-la. Seria apenas uma resistência passadista que nos sobra, ou o resultado de uma educação capengante que nos condena a não crescer tecnologicamente, a produzir café para que italianos, suíços, americanos, a ele agreguem valor, sofisticando o produto, esnobando na qualidade,na criatividade no marketing? Por aqui mesmo de criação brasileira só temos o simplório cafezinho. Mas as empresas multinacionais faturam com o cappucino, o latte, o expresso, o ristretto, o macchiato, e há muito mais ainda: o Irish Coffe, Brandy Coffe, Calypso Coffe, Gaelic Coffe, esses, resultado da mistura do café com bebidas alcoólicas, oferecendo atrativos que seduzem paladares pelo mundo todo. E aqui, temos o cafezinho, no máximo a média, café, pão e manteiga.
Carros, produzimos muitos, mas todos os modelos nos chegam de fora, aqui os repetimos e os montamos. A Coréia, a China, a Índia, a Rússia, criaram modelos resultantes da competência tecnológica que dominam.
Somos o maior exportador de ferro do mundo e estamos a importar trilhos da China para as nossas ferrovias, trilhos feitos com o minério de ferro brasileiro de excelente qualidade, que aqui deveria ser industrializado.
Teria sido melhor mesmo se ficássemos apenas a plantar batatas?