'Ajuste fiscal do governo ameaça universidades federais', diz presidente do Andes-SN

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Paulo Rizzo, presidente da Andes-SN
Paulo Rizzo, presidente da Andes-SN

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Publicada em 22/02/2015 às 00:16:00

Najla Passos
www.cartamaior.com.br

A partir da próxima segunda (23), cerca de 500 professores universitários de todo o país se reúnem em Brasília para discutir os rumos da educação brasileira, no 34º Congresso do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), a principal entidade representativa da categoria, que reúne profissionais das redes pública e privada.
O evento cresce em importância porque ocorre no momento no qual se inicia o segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, que prometeu fazer da educação a prioridade do seu novo governo, mas, ao mesmo tempo, impingiu ao país um ajuste fiscal que resultou, entre outras coisas, no corte orçamentário do

Ministério da Educação (MEC) e na retirada de direitos dos trabalhadores.
Para o presidente do Andes-SN, Paulo Rizzo, um dos principais objetivos deste Congresso será avaliar a nova conjuntura para, a partir daí, definir o plano de lutas da categoria. "Nós estamos frente a um ajuste fiscal rigoroso, aplicado com ataques aos direitos dos trabalhadores, como é o caso da medida provisória que aumenta o prazo para acesso ao seguro desemprego, e com contingenciamento de recursos públicos, inclusive para as universidades. De todos os ministérios, o MEC foi o que sofreu o maior corte", afirmou.
 
Crise chega às universidades federais - De acordo com ele, as universidades públicas federais, em especial, já terminaram 2014 com graves problemas de financiamento, anunciando o grave contingenciamento que viria este ano. "Vivemos uma situação de muita dificuldade para o próprio funcionamento das universidades, porque o corte orçamentário está afetando os serviços terceirizados, que são pagos com verbas de custeio, exatamente as que sofreram o contingenciamento", esclarece.
 O professor explica que o não pagamento das empresas terceirizadas ameaça serviços essenciais ao funcionamento dos campi, como segurança, limpeza, transporte e alimentação. "As universidades não estão conseguindo pagar as empresas terceirizadas, o que nos coloca frente a uma possibilidade real de paralisação de algumas atividades. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), por exemplo, os salários dos terceirizados já atrasaram", acrescenta.

Rizzo explica que as instituições federais de ensino superior, hoje, dependem muito dos serviços terceirizados porque, ao longo das últimas décadas, foram abrindo mão de gerir várias das atividades necessárias ao seu funcionamento, no contexto da privatização da educação, e, com isso, acabaram perdendo o controle que tinha sobre elas. "Durante o Congresso, vamos aprofundar a discussão sobre os efeitos da terceirização, que prejudica não só as universidades como vários outros serviços prestados pelo Estado", ressalta.
Em relação à questão docente, o presidente do Andes-SN alega que os professores das universidades federais ainda sofrem os efeitos do Reuni, o programa de expansão das universidades implementado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Com a expansão, há uma precariedade muito grande nas universidades, seja física, seja de pessoal. O Reuni exige sempre novos investimentos, a cada ano requer mais contratações para suprir a demanda dos novos cursos criados, mas não está tendo as contratações necessárias", justifica.