OS AGRÔNOMOS DA TERRA SOCIAL

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 15/03/2015 às 12:16:00

Quando se fizer a história contemporânea da agricultura em Sergipe se poderá traçar duas vertentes em que se dividiram as ações públicas traçadas ou defendidas pelos agrônomos, voltadas, uma, primordialmente, para a questão agrária, outra, para a priorização da tecnologia, e se deverá, também, mostrar quando essas duas linhas se encontraram, identificando-se, ou se separaram em momentos em que o autoritarismo impôs um procedimento único que imprimia na questão social o carimbo de subversiva. Derrotado o autoritarismo, agrônomos como Rosalvo Alexandre, Naziazeno saíram curando as feridas da violência para juntarem-se a outros, com os quais se identificavam, e, desde então, não se perdeu a linha da visão social a presidir as políticas públicas voltadas para o campo.
Na formulação dessa estratégia de entrelaçamento político da visão social com a tecnologia para viabilizá-la, se destacou o agrônomo Manoel Hora, militante consciente, e moderado na dosagem da ideia com a prática. Há tantos nomes a citar nessa jornada das duas vertentes misturando gerações, e ideias diversificadas, lembrando aqui do que for possível: Bernardo Lima, José Dias, Sérgio Santana, Pedro Calazans, Roberto Quintiliano, Paulo Sobral, Cláudio Lima, João Amaral, os irmãos Paulo e Flávio Primo, Hélio Sobral, Paulo Viana , Luiz Ferreira, Edmilson Machado, Geraldo Barreto, Geraldo Melo, Jorge Neto, Roberto Barros, precursor da ecologia em Sergipe, Newton Fontes, Clélio Araújo, Etélio Prado, Emanoel Franco, Luiz Ferreira, Urbano Lima, Jose Olino, Evaldo Freire, Marcelo Maciel, Antonino Campos Lima, Roberto Rezende, Zaldo Lima, José Linhares, Francisco Alves, Manoel Messias, Passos Porto.
Três gerações de engenheiros agrônomos sempre se destacaram, esgrimindo ideias do seu tempo, cada um com a sua visão, a sua prática.
Há agora em curso uma mudança que os tempos bicudos de escassez impõem. Poderão desaparecer a COHIDRO, o PRONESE, instrumentos que foram fundamentais para a execução de projetos, sobretudo voltados para o produtor rural batido pela adversidade da pobreza ou da inclemência do semiárido. Do PRONESE afasta-se Manoel Hora e com ele se desfaz uma equipe que é parte inseparável da história das lutas e dos sonhos de transformação da ainda adversa realidade sergipana: os agrônomos da terra social.
Com a possibilidade do fim dessas empresas começam a se preocupar lideranças ligadas à agricultura, às lutas sociais, como é o caso do atual secretário da Agricultura Esmeraldo Leal, do prefeito de Canindé, Heleno Silva, do deputado João Daniel, e tantos outros vivendo a vida e o sofrer dos sertanejos, tais como os deputados estaduais Jairo de Glória, Zezinho Guimarães, e o federal Jony Marcos, o Frei Enoque, o prefeito de Poço, Roberto Araújo.