O mal na repressão

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Publicada em 23/03/2015 às 11:20:00

* Alberto Magalhães

O mal é um elemento reinante nas sociedades constituídas e sobrevive por meio de ações e omissões cometidas por pessoas contra outras pessoas do seu mesmo círculo social. Contra pessoas de outros grupos sociais então foram cometidas verdadeiras atrocidades. Exemplo do branco contra os índios e os negros, dos romanos (incitados pelos judeus) contra os cristãos primitivos, dos alemães nazistas contra os judeus, etc.


Muitos impérios dominadores e escravistas fizeram milhões de pessoas sofrer e assassinaram outras milhões: Assírio, Medo-Persa, Babilônico, Mongol, Greco-Macedônico, Romano, Espanhol, Britânico... Thomas Hobbes disse que "o homem é o lobo do homem", definindo que o homem é o seu próprio inimigo à medida que se insurge perversamente contra o seu próprio grupo, num intento de dominação, subjugação, exploração e de aniquilação, em muitos casos.


Com referência aos que agiram contra os do seu próprio círculo social temos o exemplo da Inquisição católica imperialista contra os não subservientes aos seus dogmas, da histórica repressão moral, social e física dos homens contra as mulheres, da ação criminosa de militares contra os intelectuais "subversivos" nas ditaduras estúpidas, dos políticos perdulários e corruptos contra o contribuinte, de autoridades contra pobres desvalidos...


Dizem que o dinheiro corrompe o homem, ou seja o poder econômico corrompe a natureza humana. No entanto está provado: o poder político corrompe mais. Mas só àqueles que já têm predisposição à tirania. O poder político potencializa o espírito tirânico daqueles que têm a natureza corrompida. Dando vazão ao seu instinto megalomaníaco de querer ser superior ao semelhante, derrubar pessoas que brilham, manipular, impor projetos pessoais.


O homem de princípios altruístas, determinado, inteligente, com alguma capacidade de liderança independente incomoda por demais os manipuladores/tiranos/megalomaníacos quando estes estão exercitando qualquer forma de poder. São extremamente vaidosos esses repressores da natureza plural, inimigos do pensamento diferente, não aceitando nenhum tipo de discordância nem de contribuição que não seja subserviente.


No Brasil, nos anos 60 e 70, os intelectuais não alinhados ao sistema político governamental foram boicotados, presos, torturados e, por vezes, mortos porque contrariavam os "donos" do Estado. Hoje, os chefes déspotas ainda imperam aniquilando o talento de servidores não submissos aos seus ditames, perseguindo-os sorrateiramente e impedindo a sua ascensão profissional. Embora tenhamos avançado um pouco na escala social.


O mal é um elemento abstrato, mas com consequências físicas, materiais, psicológicas e sociais, além da espiritual. Ao ser cultivado ele deteriora a alma humana, as relações pessoais e a convivência social. Porque aniquila a confiança em si mesmo e no outro. Faz cessar amizades, laços familiares, relacionamentos conjugais, parcerias profissionais e empresariais, valores naturais, reverência às instituições, boa fé, paz social.

* Alberto Magalhães é funcionário público de Sergipe.