A dita cuja Sandy Alê

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O palco é onde o artista tem de se mostrar
O palco é onde o artista tem de se mostrar

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Publicada em 24/03/2015 às 11:24:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Quem tiver amor que regue. A apresentação da cantora Sandy Alê na Feirinha da Gambiarra, último domingo, foi como uma prova de fogo. O som nem era essa Coca-Cola toda. Mas a moça mostrou que tem gogó, segurança e carisma pra dar e vender.

"Um no enxame" (2014), debut da dita cuja, não prometia pouco. Timbres, arranjos, projeto gráfico e até as plataformas eleitas para colocar a criança no meio do mundo amarraram um discurso coeso, atento e forte a respeito do impulso criativo enquanto instrumento de situação do artista no tempo e lugar. Não seria a primeira vez, entretanto, que o ambiente controlado de um estúdio mascara a inaptidão por trás de uma coleção de boas ideias musicais. Promessa é dívida. E o palco é onde o artista tem de se mostrar.

É bem verdade que Sandy Alê anda sempre muito bem acompanhada e uma banda competente ajuda a segurar a onda. Sem a força de uma personalidade cativante a se impor sobre feeling e groove, uma presença física em função da qual a rapaziada possa colocar as próprias patadas, contudo, a vibe de uma tocada muitas vezes se perde a troco de nada. Dona do próprio trabalho, cheia de si, a cantora deu as ordens no terreiro e justificou a assinatura na capa de seu primeiro disco. Sem perder a ternura.

Foi bonito. Ali, na hora do vamos ver, a veia Reggae de Sandy Alê pulsou com mais força e a comunicação com o público se deu por vias astrais, de maneira imediata. Composições valiosas, perdidas na memória afetiva de um e de outro, finalmente ganharam uma voz disposta à altura necessária para vingar de verdade. Por um acaso feliz, resta provado, calhou de ser hoje a voz mais bonita da cidade.