"A-TRAÍDOS" - A PULSAÇÃO DO AMOR

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Publicada em 24/03/2015 às 11:31:00

Nos dias 7 e 8 de março, aportou no palco do Teatro Tobias Barreto, um espetáculo tipo caça-níqueis e como tal pouco confiável, o "A-Traídos", texto de Pedro Jones e direção de Daniele Winits. A peça aborda um tema recorrente, o da traição conjugal. Do amor e do desamor, em tom que pretende ser de comédia, mas resvala inevitavelmente para o besteirol, em abordagem despretensiosa, despojada e às vezes até inconsequente. A montagem explora o jeito natural dos jovens atores que formam o elenco: Bernardo Velasco, Carla Diaz e Arthur Aguiar. A chave de interpretação é o entretenimento da presença cênica como dúvida marota. Tudo em cena, do - figurino usual até a luz - existe para "insinuar escancaradamente" o truque, o fingimento. Exatamente como na traição, este truque transcendental, falta com a verdade.

Bernardo, Arthur e Carla operam esta chave com certa desenvoltura, assumindo a interpretação como truque, exposição de um texto que é apenas uma possibilidade, a mais apertada, e de uma fragilidade gritante. Apesar dos diálogos serem defendidos com destreza pelo jovem elenco, o ritmo do espetáculo sofre com sua extensão e frequência.

Mas a pulsação rápida do amor torto está em cena, com o confronto de situações variadas em que ele impera e com a exploração permanente do truque, do artifício. Prova-se assim que o amor e traição são universais e inerentes ao ser humano. Daí o primeiro truque essencial, a primeira traição irresistível da verdade, o motor sensível da espécie até para que ela possa ser razão. Como no amor, o problema é depois. E aí que se esgotam aparentemente, as possibilidades do namoro palco-plateia.