'Senhora dos Restos' no Lourival Baptista

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Isabel Santos volta à carga em texto assinado por Euler Lopes
Isabel Santos volta à carga em texto assinado por Euler Lopes

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Publicada em 25/03/2015 às 00:30:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Não foi por falta de oportunidade. Depois de estrear no teatro Atheneu, ano passado, o espetáculo Senhora dos Restos permaneceu em cartaz durante longa temporada na Casa Rua da Cultura. Esta página, contudo, segue em falta com os leitores, e não publicou ainda a devida apreciação crítica do monólogo assinado pelo jovem dramaturgo Euler Lopes, interpretado pela atriz Isabel Santos. Felizmente, eles voltam à carga sob a direção Irailson Bispo na Temporada Mariano de Artes Cênicas. Próximos dias 27 e 28, o Teatro Lourival Baptista abriga esta que vem sendo saudada como uma das montagens mais aplaudidas do teatro realizado aqui e agora, no coração da aldeia.

O espetáculo - Dos restos do Mercado Municipal, sobrevive uma velha, conhecida como Senhora dos Restos. Abandonada há anos, ela tem se tornado atração da cidade por ser a única que consegue ver a cidade com lucidez.
A Senhora dos Restos é a representação viva da miséria, do abandono, da marginalização. É a porta-voz dos despossuídos, que questiona o crime, o amor, a vida. Através de sua história somos guiados para um mundo desconhecido, o mundo dos miseráveis, que são privados de qualquer e todo tipo de direito. A Senhora dos Restos nos leva a uma reflexão sobre o que é viver em sociedade, e sobre a nossa participação na forma que ela é construída, marginalizando, oprimindo, destinado pessoas aos restos.
A contemporaneidade da narrativa nos remete a questões pujantes da sociedade brasileira, como a fome, miséria, educação básica e de qualidade para todos, igualdade entre os seres humanos, valorização da mulher, redução da mortalidade infantil, qualidade de vida e respeito ao meio ambiente. Temas dos Objetivos do Milênio da Organização das Nações Unidas ecoam pelos brados da velha mulher, que vivendo de restos, não permite que nossa consciência silencie.

Os figurinos, uma revelação de inúmeros seres humanos andarilhos, retrata os resultados da desigualdade social e os diversos problemas enfrentados pelos moradores de rua, as humilhações e submissões para se adquirir alimento e, principalmente, os casos de violência praticados pelos jovens e ricos seguidos da impunidade, comum em tantos casos.
Senhora dos Restos nos revela conteúdo para além de signos, transcende cenas que nos ligam a brasileiros e brasileiras como o índio Galdino, o artista Bispo do Rosário, o sociólogo Betinho, de Chico Mendes, Margarida Alves e Maria da Penha.