Nos 51 anos do golpe de 64, Iran critica aqueles que pedem retorno da ditadura

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Vereador Ian Barbosa - Foto: Acrisio Siqueira
Vereador Ian Barbosa - Foto: Acrisio Siqueira

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Publicada em 01/04/2015 às 11:51:00

Em discurso na tribuna da Câmara Municipal de Aracaju, ontem, 31/3, o vereador Iran Barbosa (PT) criticou aqueles que defendem o retorno da ditadura militar na plena vigência de um Estado Democrático. O petista lembrou que neste 31 de março o país rememora o fatídico dia em que tropas militares se organizaram e marcharam, há 51 anos, em vários estados, para derrubar o presidente eleito João Goulart e tomar o poder.

"O golpe se efetivou mesmo na madrugada do dia 1º de abril, conhecido como o Dia da Mentira", destacou. "E no momento em que, no Brasil, há tantas vozes se levantando para defender o retorno da ditadura militar, aproveito este espaço para protestar contra toda e qualquer ação que vise restringir a democracia no nosso país e no mundo", afirmou Iran.

O parlamentar e professor de História destacou que durante 21 anos de governos militares, as pessoas foram silenciadas pelo medo, ainda que muitos tenham enfrentado a truculência do regime, alguns pagando com a própria vida ante a violência institucionalizada pelo estado brasileiro.

"O nosso país perdeu, naquele período, parte significativa das suas mentes inteligentes, pessoas que diante da perseguição tiverem que buscar asilo político fora do Brasil. E durante aquele período, ficamos marcados por um crescimento econômico que não favoreceu o povo, mas as grandes multinacionais e as grandes empreiteiras, muitas das quais eram pequenas e só cresceram graças aos acordos espúrios que eram feitos no período da ditadura para favorecê-las em grandes obras. Algumas dessas construtoras, aliás, são citadas ainda hoje nos grandes escândalos de corrupção em nosso país", destacou o parlamentar.

Iran Barbosa lembrou, ainda, que a história mostra que houve sim patrocínio financeiro e intelectual dos Estados Unidos ao golpe de Estado de 64. "Não por menos, o país ficou de joelhos diante do império estadunidense e foi quando a nossa dívida externa (em dólar) mais cresceu, além do que, na cultura, graças à censura, vivemos um período de obscurantismo", relatou.

Para o petista, aqueles que defendem com tanta ênfase a ditadura militar e o seu retorno ou se beneficiaram de alguma forma durante o regime de exceção ou desconhecem por completo a história brutal daquele período e as consequências nefastas que deixou para o povo brasileiro.

"Hoje, infelizmente, é um dia de triste lembrança, porque não podemos apagar da história o que significou o Golpe de 64 e os 21 anos de ditadura militar, como não podemos apagar da memória o que significou a tortura, a morte e o sumiço de um grande número de brasileiros e a expulsa de tantos outros. É um dia de lembrar como lembramos do holocausto nazista, do apartheid vivido até bem pouco tempo na África do Sul, assim como a segregação racial que dividiu os Estados Unidos em dois. Não podemos deixar que coisas assim sejam ocultadas. Por isso, defendo que o Estado brasileiro, assim como o Estado de Sergipe precisam garantir o direito à memória e à verdade e que os crimes cometidos contra a humanidade no período da ditadura, estes não podem ser anistiados", disse Iran.