A crise revela

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Publicada em 02/04/2015 às 10:15:00

* Rômulo Rodrigues

A cada dia que passa, tenho mais certeza de que vivemos um momento extremamente revelador para os que forem se debruçar sobre os fatos mais marcantes desse período histórico de início do século 21.

Os historiadores do futuro, quem sabe, muitos dos quais participantes das manifestações dessa década, haverão de detectar que haviam Partidos Políticos legalmente registrados no Tribunal Superior Eleitoral, como tais, e outros não registrados mas com atuações muito mais preponderantes que aqueles que cumpriam os rituais de disputarem eleições e elegerem representantes para dois dos três poderes da República, o Executivo e o Legislativo.

Em contrapartida, a atual crise política revela que os seus fabricantes são outros Partidos que atuam num cenário de pretensa clandestinidade, formando um tripé que se reveza numa articulação supostamente legal, supostamente em defesa da sociedade, mas, no fundo defendem os interesses daquele que no passado escudado na UDN patrocinava Golpes de Estado por toda a América Latina e o Caribe, o velho e malestroso Tio Sam.

Os nomes deles são: Partido Midiático. Partido da Justiça e Partido Moderador. Seu Teatro de Operações é a Justiça Federal do Paraná, o enredo é a operação Lava Jato, suas peças são escritas pelos delegados aecistas da Polícia Federal, dirigidos por Promotores Federais golpistas regidos pelo Juiz Sérgio Moro, com a conivência dos membros do STF subordinados a Gilmar Mendes e com coberturas premiadas do intocável Sistema Globo de fabricação da opinião publicada.

Há coisas muito graves para serem estudadas e pesquisadas pelas futuras gerações e que já começam a ser combatidas pela parte consciente da sociedade, ou se quiserem, pela classe para si.

Não dá para esconder que à revelia do Partido Midiático, muitas verdade estão vindo à tona com o envolvimento dos Barões da Mídia no escândalo das contas do Swiss Leaks, nas doações da Lista de Furnas e de todas as corrupções dos governos tucanos de FHC, do até então intocável Mario Covas, de Geraldo Alckmim, de Aécio Neves e de Beto Richa, como também não dá mais para esconder o aborto da CPI da Petrobras, feito pelo então Presidente do PSDB, Senador Sergio Guerra com total conivência do autor do pedido, o também Senador tucano Álvaro Dias, tudo pela bagatela de dez milhões de Reais, dados por Youssef.

Também, não dá mais para esconder que já há pedido de abertura de inquérito contra o Presidente nacional do DEM, Senador José Agripino e que já há pegadas e impressões digitais do Líder desse partido, o Senador Ronaldo Caiado.

Os estudiosos do futuro vão se estarrecer com as interpretações desses três partidos clandestinos de que doações feitas por empreiteiras, depois condenadas na Operação Lava Jato, eram julgadas com dois pesos e duas medidas. As que foram dadas, declaradas legalmente e aprovadas pelos órgãos do Partido da Justiça e Moderador, ao Partido dos Trabalhadores, foram todas consideradas como propinas e as que foram dadas aos seus aliados nas tentativas de golpe, foram declaradas como contribuição de campanhas.

Por exemplo: Setenta e sete por cento de todas as doações dadas para os principais partidos políticos, como PT, PMDB, DEM e PSDB foram das empreiteiras que estão sendo acusadas na Operação Lava Jato, entre os anos de 2007 a 2013, só que quarenta e dois por cento do total foram para o PSDB e, por incrível que pareça, o juiz Moro, simplesmente, decretou que as do PT foram propinas e as do PSDB não.

A cada dia que passa fica mais patente que esses Partidos e seus dirigentes agem em bastante sintonia com os interesses do EUA e que começam a aparecer coincidências com feitos passados, incluindo derramas de dólares para elegerem políticos que cumprissem os papeis de agitadores para desestabilizarem governos eleitos democraticamente.

Em 1960, o Instituto Brasileiro de Ação Democrática, o IBAD, elegeu 111 Deputados Federais, com dinheiro da Embaixada americana.
Em 2014, Eduardo Cunha, conseguiu financiamentos para eleger 200 Deputados Federais para causar a instabilidade para enfraquecer Dilma.

Vão descobrir que as elites brasileiras, subordinadas a interesses externos, não aceitam a política externa de não alinhamento incondicional com os EUA e estão usando o Ministro Gilmar Mendes, o Juiz Moro, Procuradores Federais e membros da Polícia Federal do Paraná para promoverem o desequilíbrio econômico e político do Brasil.

Em contrapartida, descobrirão que a esposa do Juiz é lotada no gabinete do vice-governador do PSDB e que todos os escândalos estão vinculados aos financiamentos empresariais das campanhas e que o Ministro Gilmar Mendes está sentado em cima do voto sobre o assunto em uma votação já definida, provavelmente contrária ao voto dele.
É muito provável que vão tomar conhecimento que mais uma vez a sociedade consciente venceu, que a toda poderosa Rede Globo foi desmascarada nas suas maquiagem de IBOPE, que suas repórteres foram fustigadas nas ruas, que seus repórteres escondiam as marcas da Empresa nas manifestações, que seus donos estavam entre os maiores sonegadores de impostos do País e que a sociedade organizada escolheu o dia primeiro de abril para protestar em frente aos seus templos de mentiras.

Quando isso acontecer, muitos se arrependerão do papelão que fizerem e muitos outros se orgulharão de terem contribuído para, mais uma vez, terem vencido o ódio.

* Rômulo Rodrigues é militante político