Pena de Rodrigo Santoro

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
Uma mariposa dando voltas em torno da lamparina
Uma mariposa dando voltas em torno da lamparina

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 02/04/2015 às 11:05:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Faz até pena. Rodrigo Santoro tinha tudo para ser lembrado como um dos maiores atores brasileiros de sua geração. Depois de protagonizar alguns dos filmes mais interessantes realizados durante a retomada da indústria tupiniquim, no entanto, o garotão deu as costas para os seus e fez de tudo para se dar bem em roliúde, atraído pela promessa de desfilar um dia no tapete vermelho. Apesar da aparente disposição para engolir tudo quanto é tipo de sapo, contudo, até agora Santoro não fez mais do que lamber botas. 'Golpe Duplo', ainda em cartaz na cadeia Cinemark, é o pisante mais recente.

Desafia o entendimento. Quando aceitou entrar mudo e sair calado de um filme menor, um produto ordinário da franquia 'As Panteras', em 2003, Santoro já havia protagonizado um filme assinado por Walter Salles. 'Abril Despedaçado' (2001) deu visibilidade internacional ao ator, cego com o brilho dos holofotes, uma mariposa dando voltas em torno da lamparina.

Não é preciso perder duas horas preciosas (falo pelas minhas) para deduzir que 'Golpe Duplo' é uma bomba. A sinopse do filme não poderia ser mais clara. Um trapaceiro profissional (Will Smith) começa a treinar uma novata na profissão (Margot Robbie), até os dois se apaixonarem. Ao mesmo tempo, o sujeito tem que lidar com um importante adversário, dono de uma empresa de carros (Rodrigo Santoro).

Podia ser diferente. Fernanda Montenegro declinou de todas as propostas recebidas para dar vida a mexicanas de meia idade, após a indicação ao Oscar de melhor atriz pelo papel interpretado em Central do Brasil (1998), coincidentemente dirigido pelo já citado Walter Salles. O argentino Ricardo Darín fez escolha parecida, privilegiando a ambição artística satisfeita por um Cinema de gente grande, desenvolvido muito longe das barbas do Tio Sam. Rodrigo Santoro não era nenhum gigante da sétima arte quando resolveu se lançar ao ninho das cobras. Mas podia ser mais do que uma Barbie bronzeada.